Tão valioso como um diploma. Capital erótico, você tem?

Publicado em 06 de Abril de 2010   
Na linguagem económica chamam-lhe activo e tem importância crescente numa cultura cada vez mais sexualizada. Sobretudo nas mulheres
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Já escrevia Oscar Wilde: "Mais vale ser belo do que bom; porém, mais vale ser bom do que feio." Palavras sábias. A beleza, a sensualidade ou o charme podem ser um instrumento bem mais importante ao serviço de uma carreira de sucesso do que a inteligência ou as competências académicas. Não acredita?

Dados empíricos mostram que as pessoas bem-parecidas podem ganhar mais 10 ou 15% ao fim do mês do que o grupo de homens e mulheres de aparência média. E estes, por sua vez, também ganham mais do que os menos bafejados por Adónis e Afrodite.

Há, como assinala a socióloga britânica da London School of Economics (LSE), Cathrine Hakim, uma recompensa económica da beleza na sociedade. É o chamado capital erótico, o termo sociológico que representa o quarto activo pessoal mais valioso - e ao qual se juntam os outros capitais: o económico, o cultural e o social.

"Michelle e Barack Obama têm--no. Carla Bruni e David Beckham também. A vantagem que o capital erótico pode trazer ao mercado de trabalho é tão significativa - especialmente no desporto, artes, media e publicidade - que ultrapassa frequentemente as qualificações académicas", escreve Hakim no último número da revista britânica "Prospect".

As mulheres, de acordo com o estudo de Hakim, são quem tem mais capital erótico - não só, mas também, porque genericamente trabalham mais para ele do que os homens. A socióloga explica porquê: "Os estudos da Organização Mundial de Saúde mostram que os humanos olham para a actividade sexual como essencial para a qualidade de vida - mas ainda assim, para os homens o sexo é muito mais importante do que para as mulheres."

De facto, continua Hakim, a procura de actividades sexuais de toda a espécie é muito mais pronunciada nos homens do que nas mulheres. O turismo sexual é essencialmente um passatempo masculino e as revistas eróticas para mulheres raramente sobrevivem. "Isto cria um efeito que deve ser familiar aos economistas: as leis da oferta e da procura aumentam o valor do capital erótico feminino." E tem impacto relevante tanto nas relações pessoais como no mercado de trabalho: da política (basta olhar para as ministras ou candidatas ao Parlamento Europeu escolhidas a dedo pelo primeiro-ministro Berlusconi) à publicidade. "A cultura popular valoriza o capital erótico feminino. São as mulheres, e não os homens, que dão elegância aos anúncios de produtos de toda a espécie, de carros a detergentes para a roupa." Este fenómeno, escreve a professora da LSE, deve-se ao ar do tempo de uma sociedade cada vez mais "sexualizada".

No Brasil, por exemplo, a pujante indústria de cirurgias plásticas é um indicador claro da primazia do capital erótico. No país do Carnaval, mais de 70 mil cirurgias plásticas são realizadas todos os anos em adolescentes - os pais brasileiros já não têm que se preocupar com os pedidos para tirar a carta de condução, os implantes mamários é que estão a dar. Aparentemente são um bom investimento, como revelam os estudos de Hakim. "Os benefícios económicos de se ser física e socialmente atractivo são substanciais. Mas é mais do que isso: as pessoas que trabalham nos cargos mais bem pagos do sector privado tendem a ser mais atraentes do que os que ocupam as mesmas funções no sector público."

No final, há um intervalo de 25% entre os rendimentos médios dos grupos mais e menos atraentes. "Este impacto económico pode ser tão grande como a diferença entre ter ou não ter qualificações - apesar de a inteligência ainda ser o factor determinante no nosso percurso."


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