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Marcelo sem convites para a televisão. E agora professor?

por Ana Sá Lopes, Publicado em 05 de Abril de 2010   
Pais do Amaral acha prematuro comentar um eventual regresso de Marcelo à TVI
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"Neste momento, não recebi qualquer convite, além dos já formulados pela Rádio Renascença, TSF e por vários jornais. Convites para televisão, até agora nenhum", disse ontem Marcelo Rebelo de Sousa ao i.

A transição do professor da RTP para a TVI era esperada, mas até agora não se consumou. O anúncio do interesse de Pais do Amaral em entrar no capital da estação de Queluz poderá ter baralhado as contas de um processo até há pouco tempo visto como natural. O professor prefere não comentar. Mas, contactado pelo i, Pais do Amaral considera "prematuro" falar do assunto: "É prematuro dar uma opinião sobre o assunto. Por um lado porque ainda não sou accionista. E mesmo que venha a ser não terei funções executivas".

O administrador da TVI, Bernardo Bairrão, tinha dito recentemente estar à espera da evolução do ciclo político, mas mesmo depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter confirmado ao congresso do PSD não estar disposto a avançar com a candidatura à liderança, não houve qualquer convite formal da estação ao ex-líder. Ao que o i apurou, a própria RTP poderá insistir no regresso de Marcelo à televisão estatal.

A guerra do contraditório

Tudo começou com uma declaração do ministro Rui Gomes da Silva, no fim do Verão de 2004. Para Rui Gomes da Silva, era insustentável um espaço televisivo como o de Marcelo na TVI "sem contraditório". Dois dias depois, na sequência de uma conversa com Miguel Pais do Amaral, Marcelo abandona os seus comentário na TVI.

Foi um dos episódios políticos que manchou o governo Santana Lopes. Ouvido pela Alta Autoridade para a Comunicação Social, que abriu um processo, Marcelo afirmou que o presidente da TVI lhe tinha pedido para moderar os seus comentários críticos relativamente ao governo. Segundo Marcelo, na conversa que teve com ele, o presidente do Conselho de Administração considerou ser "inaceitável que houvesse uma informação e uma opinião sistematicamente antigovernamentais", pediu-lhe que repensasse a "orientação geral das suas intervenções", indicando um prazo de "duas semanas, ou um pouco mais, até ao fim do mês" para que isso se concretizasse. Segundo contou Marcelo à Alta Autoridade para a Comunicação Social, Pais do Amaral justificou-se com o facto de a RTL ter entrado no capital social da TVI e de o presidente do conselho de administração "ter de levar a cabo determinadas iniciativas e diligências", para as quais precisava de "contar com essa garantia da minha parte".

Para Pais do Amaral, conforme declarou na altura, o caso Marcelo era apenas "um assunto interno de uma estação privada". Mas o caso acabaria por ter uma enorme repercussão política: o próprio Presidente da República, Jorge Sampaio, recebeu Marcelo em audiência oficial em Belém por causa do abandono da TVI.

A Alta Autoridade para a Comunicação Social (um organismo que foi substituído pela ERC, Entidade Reguladora da Comunicação) acabaria a condenar a "pressão ilegítima" do governo e também o próprio Pais do Amaral por ter exercido "constrangimento sobre o colaborador". Segundo a Alta Autoridade, o presidente da Media Capital "interferiu objectivamente" numa área de responsabilidade do director de informação, o que "infringe a liberdade editorial".

Neste momento, Pais do Amaral encontra-se a negociar "uma posição minoritária significativa, entre 30 a 35% da Media Capital", conforme o próprio avançou na semana passada. O grupo Prisa confirmou na quinta-feira passada as negociações com Miguel Pais do Amaral, uma informação avançada pelo i há uma semana.

O anúncio formal das negociações surgiu no dia seguinte à Autoridade da Concorrência ter divulgado o seu veto à operação que pretendia a entrada do grupo Ongoing na Media Capital. A Autoridade da Concorrência justificou-se com o facto de a empresa de Nuno Vasconcellos não ter alienado a participação de 23% que detém na Impresa, proprietária da SIC.



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