Cultura
Visitas gratuitas já são 62% do total de entradas em museus
por Adriano Nobre, Publicado em 03 de Abril de 2010
Ministério quer mais organização no acesso gratuito para evitar sobrelotação aos domingos e feriados
Os portugueses estão a aproveitar cada vez mais os períodos gratuitos - aos domingos e feriados até às 14h00 - para visitarem os museus e palácios sob alçada do Ministério da Cultura. A afluência dos visitantes nestes períodos está a gerar preocupações quanto à sobrelotação que tem sido registada em alguns dos museus e já motivou a criação de novas regras, por parte do Ministério da Cultura, para gerir este regime de entradas.
De acordo com as informações avançadas ao i pela assessoria de imprensa do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), em 2009, as entradas gratuitas representaram 62% do total de visitantes nos espaços museológicos desta entidade. Ou seja, dos 2,3 milhões de entradas nos museus e palácios do IMC apenas 904 mil foram pagas.
Segundo a mesma fonte, embora o total de entradas em museus e palácios portugueses tenha crescido em cerca de 100 mil visitas entre 2008 e 2009, este acréscimo de entradas gratuitas está a gerar uma queda considerável nas receitas de bilheteira: de 3,4 milhões de euros em 2008, para 2,9 milhões no último ano. E a situação repete-se no património sob a alçada do IGESPAR. "Em 2009 tivemos 1,8 milhões de visitas. Desse total, 413 mil ocorreram aos domingos de manhã", exemplificou ao i o director do IGESPAR, Gonçalo Couceiro.
Um cenário que levou a secretaria de Estado da Cultura a emitir um despacho que, além de uma actualização dos preços dos bilhetes, criou novas regras para a acessibilidade gratuita, no sentido de evitar as sobrelotações. No focos das novas regras estão as visitas guiadas de grupos acompanhados por operadores turísticos e as visitas de estudo, que passam a estar sujeitas a maior vigilância: "Não há um sentido de impedir que sejam feitas, mas sim um pedido de marcação mais antecipada, para permitir uma melhor organização", diz Couceiro. Igualmente mais apertadas passam a estar as entradas gratuitas de profissionais como jornalistas, investigadores ou profissionais do turismo, cuja entrada livre passa a estar condicionada "ao desempenho das suas funções, desde que devidamente identificados", diz o despacho. "É uma questão de bom senso. Se um jornalista vier em trabalho, deve entrar de borla. Mas não se vier em passeio com a família", resume Gonçalo Couceiro.
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: Visitas gratuitas já são 62% do total de entradas em museus
Actividade em ionline