Submarinos: Governo alemão informou embaixada portuguesa de indiciação do cônsul honorário

Publicado em 31 de Março de 2010   
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O Governo alemão informou a embaixada portuguesa em Berlim que o cônsul honorário em Munique foi indiciado por tráfico de influências e corrupção, no âmbito da investigação à empresa alemã Ferrostaal, numa nota verbal datada de 25 de março.

Questionada sobre o intervalo entre a data da nota verbal, a que a Agência Lusa teve hoje acesso, e a suspensão de funções do cônsul honorário, ocorrida hoje, fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades disse que a comunicação das autoridades alemãs "deu entrada na embaixada no final do dia 29 de março, tendo a embaixada comunicado por telegrama para o Ministério no dia 30".

"A Procuradoria da República de Munique informou o Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros de que foi proposto um processo de instrução penal por tráfico de influências e corrupção contra o cônsul honorário da República portuguesa em Munique, Juergen Adollf", lê-se na comunicação, feita ao abrigo da Convenção de Viena que regula as relações diplomáticas.

O Governo português suspendeu hoje o cônsul honorário de Portugal em Munique, Jurgen Adolff, de "todas as funções relacionadas com o exercício do cargo", na sequência da investigação na Alemanha de suspeitas de corrupção na venda de submarinos, segundo um comunicado do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

A revista alemã Der Spiegel noticiou terça feira que um cônsul honorário de Portugal, que não identifica, terá recebido um suborno de 1,6 milhões de euros da Man Ferrostaal para ajudar a concretizar a compra de dois submarinos pelo Estado português em 2004.

De acordo com a Der Spiegel, o cônsul honorário terá também organizado, no verão de 2002, uma "reunião entre a administração da Ferrostaal e o antigo primeiro ministro português José Manuel Durão Barroso", atual presidente da Comissão Europeia.

Durão Barroso, através da sua porta-voz, disse hoje que "não teve qualquer intervenção direta ou pessoal" no caso da compra dos submarinos, além da participação na decisão tomada coletivamente em Conselho de Ministros.

Jurgen Adolff afirmou hoje à Lusa desconhecer as acusações que lhe foram atribuídas no processo de compra de dois submarinos, bem como a decisão do Governo de o suspender de funções.



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