O Bloco de Esquerda (BE) manifestou-se hoje "muito preocupado" com a existência de suspeitas de corrupção no negócio de venda de submarinos a Portugal, desafiando o Governo a colaborar no esclarecimento "o mais célere e o mais transparente possível".
"Vemos com muita preocupação estas notícias referentes a possíveis envolvimentos de membros do Governo português num processo de corrupção que está a ser investigado na Alemanha", disse o deputado do BE Heitor de Sousa, em declarações à agência Lusa.
Para o deputado bloquista, o Governo deve neste caso "prestar todos os esclarecimentos à opinião pública, nomeadamente sobre o que pensa ainda fazer relativamente ao esclarecimento de todo este processo".
"O atual Governo tem que se colocar à disposição deste processo de investigação no sentido de o ajudar e de prestar todos os esclarecimentos com vista a que ele seja o mais breve, o mais célere e o mais transparente possível", frisou.
De resto, acrescentou Heitor de Sousa, o esclarecimento do caso "compete às autoridades judiciais da Alemanha e de Portugal", que dispõem agora de "maiores dados e aspetos mais claros" sobre o caso, cujo esclarecimento pode ir agora "até ao fim".
"Este processo de corrupção é um dos episódios em que há suspeitas de há muitos anos a esta parte de que esses processos existem. Agora temos um processo cuja investigação é muito importante do ponto de vista do cidadão contribuinte porque estamos a falar de uma despesa orçamental que vai envolver mais de mil milhões de euros durante mais de 20 anos", comentou.
O Governo português suspendeu hoje o cônsul honorário de Portugal em Munique, Jurgen Adolff, de "todas as funções relacionadas com o exercício do cargo", na sequência da investigação na Alemanha de suspeitas de corrupção na venda de submarinos.
A revista alemã Der Spiegel noticiou que um cônsul honorário de Portugal, que não identifica, terá recebido um suborno de 1,6 milhões de euros da Ferrostaal para ajudar a concretizar a compra de dois submarinos pelo Estado português em 2004.
De acordo com a Der Spiegel, o cônsul honorário terá também organizado, no verão de 2002, uma "reunião entre a administração da Ferrostaal e o antigo primeiro ministro português José Manuel Durão Barroso", atual presidente da Comissão Europeia.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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