Pais do Amaral tem via aberta para regressar à estação. Ongoing fica com 125 milhões para investir
Foi o
anúncio formal de um fracasso já aguardado: a
Autoridade da Concorrência (AdC) comunicou ontem ao mercado a sua oposição à
OPA que iria permitir à
Ongoing a compra de 35% da
Media Capital, dona da
TVI. A decisão da AdC é justificada com o parecer negativo da
Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), que em Fevereiro condicionou uma eventual aprovação do negócio à necessidade de a Ongoing alienar a participação de 23% que tem na Impresa, dona da
SIC.
"Face ao sentido do parecer emitido pela ERC, e atendendo a que o interesse público da diversidade e do pluralismo, expresso pela ERC no seu parecer, determina que a operação projectada não se possa concretizar [...], a Autoridade da Concorrência pronunciou-se no sentido da oposição à operação", lê-se no comunicado da AdC, emitido na véspera do prazo limite que a Ongoing e a Media Capital tinham estabelecido para efectivar o acordo assinado em Setembro de 2009.
Além de surgir quase no limite do prazo legal, a oposição da AdC a este negócio pouco adianta ao esboço de certidão de óbito que o mercado tinha passado à entrada da Ongoing na TVI: a dificuldade da empresa de
Nuno Vasconcellos de vender as acções da Impresa, aliada à recente entrada da norte-americana
Liberty no capital social do grupo
Prisa, dono da Media Capital, já tinha levado o presidente da Ongoing a admitir publicamente estar a reavaliar a pertinência da operação.
Este cenário originou, de resto, o posicionamento de novos players interessados em negociar com a administração do grupo Prisa uma eventual entrada na TVI: conforme o
i avançou na sua edição de ontem,
o empresário Miguel Pais do Amaral está entre os candidatos e admite que irá analisar o "dossiê TVI", não descartando a possibilidade de regressar à estação que vendeu, em 2005, à holding espanhola. Segundo as informações recolhidas pelo
i junto de fontes do mercado,
Pais do Amaral já terá mesmo falado com o seu sócio, Nicolas Berggruen, para avaliar o negócio que ficaria disponível caso a OPA da Ongoing não fosse avante.
Depois do comunicado emitido pela AdC, a Ongoing informou a
CMVM de que a operação para a compra de 35% da TVI "não poderá concretizar- -se". E remeteu, de forma sintética, as causas desse fracasso para as decisões da ERC e da AdC. Porém, no início de Março a empresa já tinha contestado publicamente a decisão da ERC. "Quando o regulador diz que é obrigatório vender uma participação, o comprador faz-se difícil. Estávamos perto de concluir um negócio [para vender os 23% na Impresa] e depois da deliberação da ERC o interessado quis reduzir substancialmente o preço", criticou o vice-presidente da Ongoing, Rafael Mora.
Formalizado o chumbo à entrada na TVI, a Ongoing recusa por agora explicar se tenciona manter-se como accionista da
Impresa depois das divergências públicas com
Francisco Balsemão. Certo é que, fechada a porta na TVI, a empresa fica agora com 125 milhões de euros em caixa para perseguir o objectivo de crescer na área dos
media.
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