Secretário da Congregação dos Bispos elogia postura de Bento XVI

Publicado em 28 de Março de 2010   
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O português que dirige o departamento do Vaticano de ligação com as dioceses sublinhou hoje o modo “extraordinário” como o Papa Bento XVI enfrentou o problema dos padres pedófilos.

“O Papa está a gerir [o problema da pedofilia no seio da Igreja] de um modo extraordinário”, disse monsenhor Manuel Monteiro de Castro, que falava aos jornalistas em Santa Eufémia de Prazins, Guimarães, sua terra natal, onde celebrou o 25.º aniversário da sua ordenação episcopal.

O prelado recordou que a própria Organização Mundial de Saúde considera a pedofilia uma enfermidade e aludiu estimativas segundo só uns três por cento dos sacerdotes católicos dela padecem.

D. Manuel Monteiro de Castro enquadrou as críticas à Igreja a propósito desta questão no âmbito de “uma corrente bem precisa para eliminar tudo o que seja religioso”.

Estas declarações surgem no termo de uma semana marcada por acusações a Joseph Ratzinger, veiculadas na imprensa internacional, segundo os quais não agiu após tomar conhecimento abusos por parte de sacerdotes católicos.

Outra figura da hierarquia do Vaticano, o cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, já tinha recusado as acusações ao Papa, garantindo que Ratzinger “rompeu” o silêncio da Igreja para enfrentar com frontalidade casos de padres pedófilos.

Apesar de reconhecer que a Igreja se calou “às vezes” face a casos de padres pedófilos, o cardeal alemão assegurou que o Papa seu compatriota “jamais” proibiu a denúncia de padres pedófilos e jamais deu ordens para esconder aqueles casos.

Por sua vez, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, disse à agência Lusa que a postura do atual Papa face aos padres abusadores não deixa dúvidas.

“O Papa é muito claro. O ato em si é pecaminoso, portanto terá de ser resolvido dentro dos tribunais da Igreja e comunicado para a Santa Sé. Por outro lado, também é um crime e, como crime, terá uma outra implicação que diz respeito mais aos tribunais civis”, afirmou.

Na sequência de revelações de um investigador da Polícia Judiciária, segundo as quais dez clérigos portugueses foram acusados de abusos sexuais, D. Jorge Ortiga reiterou anteriores declarações sobre a matéria: “Eu já disse que um é demais e voltarei sempre a dizê-lo. Mas as situações são para assumir”.

O presidente da CEP disse que a matéria “não está na agenda” da próxima assembleia plenária da conferência, mas - acrescentou - “é muito natural que seja abordada”.

Na mesma linha de pensamento, o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, afirmou à Lusa que a posição do Papa sobre os clérigos pedófilos é “obviamente aceite [pela Igreja portuguesa] e compartilhada por todo o episcopado”.

"É bom que a Igreja que está no terreno também leve por diante uma atuação nesse campo, segundo aquilo que o Papa diz, e muito bem", frisou o responsável pelo Paço Episcopal do Porto.

Trata-se, segundo o prelado do Porto, de um “problema comum da humanidade atual”, não sendo, “nem por sombras, exclusivamente eclesiástico, nem maioritariamente eclesiástico”.

Outro prelado português, o bispo emérito do Funchal, D. Teodoro de Faria, considerou "um exagero" as críticas feitas à Igreja por causa dos casos de pedofilia e alegou que "todas as classes têm defeitos deste género".

O bispo do Funchal entre 1982 e 2007 recordou ainda o "problema difícil" que foi a condenação do padre Frederico por homicídio de um menor do qual teria abusado sexualmente, em 1993.


 

***Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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