Associações: IC2 está transformado em via urbana e não é alternativa à A1

Publicado em 27 de Março de 2010   
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Associações de transportadoras de mercadorias defendem que o IC2, de Lisboa ao Porto, não é uma alternativa viável para fugir às portagens da A1, porque funciona na prática como via urbana.

António Mousinho, da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), considera que o uso da do Itinerário Complementar 2 como alternativa à A1 é inviável, porque “demora umas sete ou oito horas a percorrer 300 quilómetros”, o que considera ser “uma barbaridade de tempo”.

“O motorista que iniciar o seu percurso em Lisboa não consegue chegar no mesmo dia ao Porto pelo IC2, até porque tem de parar a meio para fazer o descanso", disse.

“O IC2 não é sequer uma estrada nacional neste momento. Entre Lisboa e o Porto é uma via urbana, com semáforos, com cruzamentos, rotundas e toda a série de trânsito urbano, desde carroças, a tratores, bicicletas (…)”, acrescentou.

Para este dirigente, a designação de itinerário complementar já deveria ter sido revista, “chamando-lhe estrada principal, ou regional ou outra coisa qualquer”.

“Não é de maneira nenhuma um itinerário complementar, porque não tem essa dignidade. Até penso que não tem os requisitos que, de certeza, a lei exige para um IC”, considerou.

“Isto desmonta a ideia de que se pode por portagens em todo o lado porque em Portugal existem alternativas às SCUTS. Não existem. Estamos contra as portagens nas SCUTS (vias Sem Custos para o Utilizador), porque não há alternativas com uma qualidade razoável nem para o empresário nem para o cidadão. Não é apenas uma questão de conforto financeiro”, afirmou, sublinhando que se as portagens nas SCUT forem para a frente “é evidente que todas aquelas vias em redor irão ficar certamente entupidas com tráfego”.

Também António Lóios, da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP), considera que o aumento do gasóleo, aumentos nas portagens e portagens nas SCUT irão aumentar o tráfego em vias locais, pondo em causa a segurança das populações, aumentando o consumo de energia, a poluição e o tempo perdido.

“Vemos com bastante apreensão tudo o que está a acontecer”, disse, considerando que o IC2 “não tem condições para levar com mais trânsito”, principalmente de Leiria para norte.

“Até Leiria está em bom estado, mas de Leiria para cima é um caos completo. Passa-se em via urbana, por uma série de rotundas, sinais luminosos. De Pombal para cima então o estado do piso é manifestamente mau”, afirmou.

A ANTP reúne-se hoje em Porto de Mós, Rio Maior, numa reunião magna de transportadoras para abordar vários pontos relacionados com novas portagens e o preço dos combustíveis e debater uma eventual paralisação no sector.

Segundo dados da Estradas de Portugal, a que a Lusa teve acesso, os volumes médios de Tráfego Médio Diário Anual (TMDA), ponderados para o IC2, diminuíram em toda a extensão desta via em 2009, comparado com o ano anterior.

Assim, por exemplo, entre Leiria - Coimbra o valor de TMDA diminuiu de 19.804 em 2008 para 19.012 em 2009, no troço Coimbra - Albergaria diminuiu de 17.085 (2008) para 16.412 (2009) e no de Albergaria - Porto de 18.032 (2008) para 17. 310 (2009).

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico



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