O candidato à Presidência da República Fernando Nobre defende que a União Europeia (UE) deveria criar uma agência de notação financeira ("rating") pública, com "critérios muito transparentes" e respeitados por todos os Estados-membros.
"A UE deveria ter uma agência de 'rating' pública, com critérios muito transparentes, aos quais todos os Estados se submeteriam e aceitariam as classificações assim definidas", afirmou Fernando Nobre à agência Lusa.
Desta forma, os Estados-membros não estariam "permanentemente sujeitos a classificações de empresas que muitas vezes não se sabe quais são os interesses verdadeiros que têm para publicar certos dados", como, na sua opinião, aconteceu com Portugal.
Na quarta feira, a agência de notação financeira Fitch desceu o "rating" de Portugal para AA-, apesar de considerar que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é "globalmente credível" e apresenta um cenário macroeconómico sensato.
Fernando Nobre considera que "não seria exequível" o Estado português processar as agências de "rating", como estão a fazer vários estados norte-americanos.
Na sua opinião, a UE é que "deveria demonstrar muito mais empatia e solidariedade para com os seus membros, nomeadamente a Grécia, do que aquilo que tem vindo a lume".
"Acho que a UE deveria ter uma atitude muito diferente do que aquela que tem tido. As agências de 'rating' são privadas, a sua classificação faz com que os especuladores ataquem ou não ataquem um certo país, como está a acontecer com a Grécia", explicou.
É por isso que entende que a UE deveria "ter uma agência de 'rating' pública, oficial e que também deveria publicar os seus resultados com toda a transparência, porque o que está subjacente a algumas classificações dessas empresas privadas pode não ser tão transparente assim".
Fernando Nobre considera que Portugal ficou prejudicado quando foi associado à "palavra insultuosa" PIGS - nome dado ao grupo de Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (iniciais em inglês desses países) - e "quando o comissário europeu (Joaquín) Almunia fez as declarações que fez extremamente infelizes e inoportunas", ao comparar a situação económica de Portugal à da Grécia.
"É evidente que tudo isso atinge a dignidade e a credibilidade do Estado português", frisou, congratulando-se por tanto o Governo, como o Presidente da República terem reagido para defender "o bom nome e a realidade da economia portuguesa".
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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