PSD
O próximo líder. Os homens do novo presidente do PSD já estão à espreita
por Paulo Pinto Mascarenhas e Filipa Martins, Publicado em 26 de Março de 2010
O economista Nogueira Leite ou o politólogo Vasco Rato são nomes da lista de Passos Coelho. Paulo Rangel terá Capucho e Fernando Seara
Hoje à noite, o novo líder do PSD vai fazer um discurso de mudança, ruptura e união. As principais bandeiras das campanhas para as directas dos três principais candidatos - Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco - terão de ser assumidas pelo presidente eleito. É verdade que os sociais-democratas se unem quando sentem o cheiro do poder a aproximar-se. Só que a capacidade de resiliência demonstrada por José Sócrates, sobrevivendo a todos os casos em que se viu envolvido, pode estragar os planos dos que esperam uma rápida queda do governo.
Passos Coelho já disse que não tinha pressa, como aliás Paulo Rangel e Aguiar-Branco, mas a tradição diz que nenhum presidente do PSD se aguenta muito tempo na oposição. A intenção pós-eleitoral é de tentar unir as várias facções. Ainda assim a comissão política de Passos deve reunir alguns dos fiéis apoiantes. Paula Teixeira da Cruz é um nome incontornável, como o economista António Nogueira Leite, o politólogo Vasco Rato, o líder da distrital do Porto, Marco António Costa, ou o congénere de Lisboa, Carlos Carreiras. Não se sabe se Miguel Relvas irá preferir manter-se distante da vida política interna social-democrata.
Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu e da Associação de municípios, mandatário nacional de Passos Coelho, poderá ser o nome apontado para a presidência da mesa do congresso. Ângelo Correia deverá ficar de fora, por vontade própria. O santanista Pedro Pinto é outro nome falado para a comissão política, assim como o antigo líder da JSD e actual deputado, Pedro Duarte. Rita Marques Guedes, na ala feminina, completa a lista previsível.
Paulo Rangel também não fugirá muito ao guião dos seus apoiantes: caso seja eleito, irá convidar personalidades como o actual vice-presidente de Manuela Ferreira Leite, Paulo Mota Pinto. Sofia Galvão, outra vice de Manuela e apoiante de Rangel desde a primeira hora, aparece como nome a ter em conta numa putativa direcção. O eurodeputado Mário David, marcelista de sempre, também está na lista, assim como Macário Correia, o jardinista Guilherme Silva e Fernando Seara. António Capucho poderia ser o nome do próximo presidente do congresso do PSD.
Salvo uma reviravolta totalmente inesperada, o próximo líder não vai ter lugar na bancada laranja e será obrigado a negociar para conseguir uma direcção parlamentar que lhe seja fiel. Passos Coelho já disse que se fosse eleito presidente do PSD iria manter o actual líder parlamentar e seu concorrente, Aguiar-Branco. Mas o adversário nas directas também já afirmou que não irá continuar nesse cargo, seja com quem for eleito. Nesse caso deverá ser o passista Miguel Macedo a assumir a liderança.
O líder que se segue vai procurar exorcizar uma maldição cor-de-rosa que parece assombrar a São Caetano à Lapa, onde se encontra a sede nacional em Lisboa. Desde que José Sócrates foi eleito secretário-geral do PSD em 2004, houve quatro presidentes sociais-democratas: Pedro Santana Lopes, Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite. O próximo vai ser o quinto de uma lista negra para o PSD, numa sucessão de punhaladas nas costas, divisões e quezílias na praça pública.
O rastilho do confronto interno mantém-se aceso. O PSD é um partido de individualidades e barões com uma tendência clara para o fratricídio, de Marcelo Rebelo de Sousa a Alberto João Jardim, Santana Lopes, Luís Filipe Menezes ou Pacheco Pereira. Todos são conhecidos por não gostarem de ficar calados. Rui Rio, que costuma ser reservado, não deixou de dar as suas opiniões sobre as sucessivas lideranças do partido. O PSD é um partido com uma lista infindável de possíveis candidatos a líder.
Este último comentador está no parlamento e, tal como Marcelo, mantém uma extensa rede de plataformas de comunicação social que lhe servem para publicar opinião, muitas vezes negativa para os líderes do partido. Ninguém esquece, por exemplo, quando Pacheco Pereira inverteu as setas da sigla do PSD, no blogue onde escreve, o Abrupto, durante a presidência de Luís Filipe Menezes.
O Presidente da República, Cavaco Silva, apesar da prudente distância institucional que mantém em relação ao antigo partido, é sempre uma referência do PSD e a sua influência estende-se a cavaquistas como Alexandre Relvas, que se demitiu da presidência do Instituto Sá Carneiro a duas semanas destas directas, ou à própria Ferreira Leite, que já disse que irá manter-se como deputada no parlamento. Sabe-se que não convém ao próximo líder ser considerado "má moeda" por Cavaco Silva.
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