Leandro. Pais recuperam corpo da criança para um "funeral digno"

por Marta F. Reis, com Lusa, Publicado em 26 de Março de 2010   
Director regional de Educação do Norte, António Leite, representa o ministério no funeral
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Há duas semanas que Manuel Geraldes ia pescar para o lugar da Azenha do Saldanha, perto do Cachão, a 14 quilómetros de Mirandela. Ontem pelas 7h45 viu um vulto num charco. Tinha encontrado o corpo de Leandro, a criança de 12 anos que desapareceu a 2 de Março, no rio Tua. O funeral da criança realiza-se esta manhã, pelas 10 horas.

O pescador de Frechas ligou para o 112 e a operadora pediu--lhe para verificar se o corpo era de criança ou adulto. Disse que parecia pequeno, e ao longo do dia de ontem foi explicando que uma "sensação estranha" o fez pressentir que tinha encontrado Leandro. Os bombeiros de Mirandela dirigiram-se de imediato ao local, onde o corpo foi resgatado entre as 9h30 e as 10 horas, para ser levado depois para a morgue de Mirandela. O comandante dos bombeiros locais, Carlos Ricardo, explicou ao i que o corpo terá chegado ao local depois das comportas da ponte--açude de Mirandela terem sido fechadas. "Felizmente encontrámo-lo. O corpo devia estar mais a montante. No domingo tivemos uma grande trovoada e o rio encheu, deve ter arrastado o corpo. Quando fecharam as comportas ficou à vista", diz.

Os pais de Leandro receberam a notícia através da Protecção Civil de Mirandela. Depois da autópsia na delegação do Instituto de Medicina Legal do Hospital de Mirandela, que segundo o comandante Carlos Ricardo terá apontado afogamento como causa de morte, o corpo foi entregue à família e levado para a aldeia de Cedainhos, a 12 quilómetros de Mirandela. "Foi um choque muito grande, mas era o que esperávamos. Agora vamos poder fazer-lhe um funeral digno", disse ao i a tia de Leandro, Paula Nunes. O seu filho Ricardo, de 14 anos, foi uma das últimas pessoas a ver Leandro com vida. "Está a lidar muito mal, mas de manhã quando fomos buscá-lo à escola estava a receber apoio da psicóloga e dos funcionários. Queriam ver o corpo", mas só os pais de Leandro puderam ver a criança.

O corpo foi encontrado a dez quilómetros do local onde Leandro desapareceu no início do mês. Família e bombeiros descrevem a recuperação com um desfecho digno e não apontam falhas às buscas que decorreram durante 12 dias após o de-saparecimento. As autoridades tinham decidido continuar a vigiar as margens do rio, mas até ontem as perspectivas eram de que o corpo tivesse ficado preso no leito do rio. As buscas mobilizaram na altura 125 homens ao longo de 40 quilómetros entre Mirandela e a foz do rio. Sem o cadáver, a morte da criança só poderia ser declarada oficialmente passados dez anos.

O caso de Leandro foi associado a um historial de bullying na escola. A 2 de Março Leandro saiu da escola à hora de almoço com um grupo de colegas, que testemunham que a criança se atirou em desespero ao rio, apesar de as autoridades acreditarem ter-se tratado de um acidente. Actualmente há dois inquéritos em curso, um no Ministério Público e outro no Ministério da Educação, depois da Direcção Regional de Educação do Norte ter considerado que o inquérito inicial, conduzido pela Escola Básica 2/3 Luciano Cordeiro, não foi conclusivo. Nenhum tem prazo de conclusão anunciado.

O director regional de Educação do Norte, António Leite, vai representar o Ministério da Educação na cerimónia fúnebre e a Câmara de Mirandela está a suportar os custos. O funeral de Leandro realiza-se hoje pelas 10 horas.


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