A decisão de descer o rating da dívida portuguesa, sinalizando aos mercados o risco de incumprimento, surge depois conhecido e analisado o PEC, e na véspera da sua votação. Nos mercados de seguros da dívida, Portugal tinha, às 16h30, a 5ª maior subida mundial e uma probabilidade de incumprimento de 11,4%, a segunda maior da zona Euro e quíntupla da germânica. A Tailândia, um usual campeão no risco desde o golpe de 2006, tinha apenas 8,8%.
O mito do “apoio alargado”, em que o governo insiste, não sobrevive à realidade. Não será por a AR louvar o PEC que a Fitch reverá o rating.
As famílias e as empresas são duplamente penalizadas pelo documento do Governo. À subida da receita fiscal, à custa dos trabalhadores dependentes, ao sacrifício dos pensionistas, e à menor poupança para investimento, junta-se, porque a reacção do mercado paga-se, o aumento dos juros: prestações mais caras no crédito à habitação e maior risco de falências no crédito empresarial. O impacto no desemprego é claro.
O Ministro responde que apesar da descida de rating, a Fitch achará que o PEC pode resultar. Os mercados não. Imita o aluno reprovado sem apelo, que começa a conversa com os pais alegando que os professores antecipam boas notas para o ano. Antes de confessar que será repetente.
Professor da Universidade Católica Portuguesa




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