O diretor de programas da SIC, Nuno Santos, defendeu hoje no Parlamento que é desadequado considerar como "pressão" a conversa que teve com o primeiro ministro sobre o jornalista Mário Crespo num restaurante em Lisboa.
"Tratou-se de um encontro casual, acidental, num restaurante. Foi um encontro entre pessoas que se conhecem. Utilizar a expressão 'pressão' parece-me desadequado", disse Nuno Santos aos deputados da comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República.
O diretor de programas da SIC escusou-se a revelar o conteúdo da conversa descrita por Mário Crespo numa crónica que não chegou a ser publicada no Jornal de Notícias.
"Não estaria a dignificar a actividade parlamentar se partilhasse conversas de circunstância, fortuitas, que são da natureza privada", justificou.
Nuno Santos garantiu ter transmitido a Mário Crespo - a pedido do jornalista - o que aconteceu naquele almoço, e que o que disse o deixa "de consciência tranquila".
O responsável adiantou ainda não ter sido ele a contactar primeiro Mário Crespo por considerar que a conversa com o primeiro ministro "não tinha qualquer relevância".
"Não vou contribuir para entrar numa chicana sobre as diferentes versões da conversa", referiu.
Quanto à eventual publicação da crónica escrita por Mário Crespo, caso fosse diretor do JN, Nuno Santos afirmou que a publicaria, "por ter uma assinatura e ser um texto de opinião".
"Não era a primeira vez que aquele colunista era contundente com o Governo. Não encontro razão para a crónica não ter sido publicada", afirmou.
Mário Crespo acusou o Jornal de Notícias de ter censurado uma crónica sua acerca de uma conversa que o primeiro ministro terá tido com Nuno Santos.
O seu texto de opinião relatava um almoço onde José Sócrates e os ministros dos Assuntos Parlamentares e da Presidência, Jorge Lacão e Silva Pereira, encontraram um executivo de televisão (Nuno Santos) tendo referido que Mário Crespo era um "problema que tinha de ser solucionado".
No artigo, o jornalista apontava os jornalistas Manuela Moura Guedes, José Eduardo Moniz e José Manuel Fernandes como outros "problemas" que o Governo quis "solucionar", tendo todos deixado de ocupar cargos de direção.
***Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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