Pedofilia: aumentam números de criminosos e vítimas na Alemanha e na Áustria

Publicado em 22 de Março de 2010   
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Os números relativos a religiosos suspeitos de abuso sexual de menores e às suas vítimas estão a aumentar na Alemanha e na Áustria, conforme declarações de hoje de vários responsáveis.

Na Alemanha, o número de religiosos suspeitos de abuso sexual de menores na escola do coro musical de Ratisbona, no Sul do país, subiu hoje para quatro sacerdotes e duas freiras, afirmou o porta-voz da diocese, Clemens Neck.

Na Áustria, o presidente do coro infantil de Viena, Walter Nettig, pediu desculpa, em nome da instituição, quando o número de vítimas foi hoje revisto em alta, dos oito da última semana para 11.

Apesar de o coro infantil de Viena não ter filiação religiosa, as denúncias colhidas através de uma linha telefónica criada para o efeito, algumas relativas a abusos com 50 anos, ocorrem ao mesmo tempo que há uma série de denúncias de abusos praticados pelos membros da Igreja Católica austríaca.

Entre os suspeitos alemães está um homem que há 40 anos abusou de dois meninos enquanto trabalhava no internato onde o irmão do Papa, Georg Ratzinger, foi diretor musical durante três décadas, de 1964 a 1994.

Neck disse também que o número de vítimas continua a aumentar. Sobre os suspeitos de hoje, acrescentou que os indícios remontam a 1984, que os homens estão em diferentes dioceses e que as mulheres sofrem de senilidade.

O bispado de Ratisbona revelou no início de março que dois religiosos, falecidos em 1984, foram condenados judicialmente por pederastia.

Por outro lado, a Igreja Evangélica informou hoje, em Dusseldorf, que está a investigar mais três casos suspeitos de pederastia que envolvem sacerdotes e empregados eclesiásticos.

A vice-presidente da diocese renana, Petra Bosse-Huber, explicou que nos últimos dias chegaram à instituição denúncias de casos de abuso, alguns dos quais datados de há 50 anos.

"Estamos envergonhados e horrorizados. Pedimos o perdão das vítimas", disse.

Estes casos acrescentam-se à vasta série de revelações surgidas desde fevereiro, no seguimento do escândalo de pederastia na escola de elite jesuíta Canisius, em Berlim, nos anos 80.

Desde então, a regularidade das denúncias e revelações afeta quase todas as dioceses da Alemanha, envolvendo 23 escola ou internatos, com uma especial incidência nos conventos da Baviera.

Segundo a imprensa alemã, a arquidiocese de Munique e Freising admitiu o "grave erro" cometido nos anos 80, quando o atual Papa era o seu arcebispo, ao acolher um padre com antecedentes de pedofilia, colocando-o numa paróquia onde veio a reincidir nos abusos sexuais a crianças.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que exigiu na passada semana toda a verdade sobre os numerosos casos de abusos sexuais de menores, congratulou-se hoje com o perdão pedido pelo Papa, através de uma carta, às vítimas dos padres pedófilos na Irlanda.

No final de abril, as ministras da Justiça, Família e Ciência e Investigação, respetivamente Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, Kristina Schröder e Annette Schavan, participarão numa mesa-redonda para rever os casos de abusos sexuais a menores.

Leutheusser-Schnarrenberger já elogiou a disposição de cooperar com a justiça manifestada pelos bispos católicos da Baviera.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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