Rio de Janeiro acolhe o maior evento de urbanismo das Nações Unidas

Publicado em 22 de Março de 2010   
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O Rio de Janeiro acolhe, a partir de hoje, a 5.ª edição do Fórum Urbano Mundial das Nações Unidas, o maior congresso sobre o crescimento urbano do planeta que deverá reunir mais de 15 mil participantes de 200 países.

Com o tema “O direito à cidade: unindo o urbano dividido”, esta é a primeira vez que a conferência mundial sobre cidades acontece na América Latina para debater crescimento e impactos provocados pela urbanização.

A questão da sustentabilidade urbana é considerada pelo organismo uma das mais “urgentes enfrentadas pela humanidade”.

O evento será composto por palestras com especialistas, autoridades públicas e parlamentares, e mais de 100 sessões paralelas.

Líderes mundiais já confirmaram a presença como o Presidente Lula da Silva, que estará no primeiro de dia do evento, o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, o Presidente de Uganda, o Primeiro Ministro do Líbano e a vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e as Caraíbas, Pamela Cox.

Do Brasil estarão o ministro das Cidades, Márcio Fortes, a ministra chefe da Casa Civil e candidata à Presidência nas eleições deste ano, Dilma Rousseff, e a ambientalista e senadora Marina Silva, também na disputa pelas presidenciais.

O direito à cidade, o acesso igualitário à moradia, a diversidade cultural, a governação e urbanização sustentável, são pontos a levantar nas sessões.

De acordo com um dos diretores do Observatório Urbano Global do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), Eduardo Lopez-Moreno, o crescimento descontrolado das cidades é um novo fenómeno.

“Quando falamos em desenvolvimento hoje, cada vez mais as mega regiões e os corredores urbanos são as formas principais do crescimento urbano no mundo”.

Dados recentes indicam que as 40 mega regiões, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro (com 63 milhões de habitantes juntas), concentram 18 por cento da população mundial urbana e são responsáveis por 66 por cento da produção económica.

“A urbanização não é mais sinónimo de desenvolvimento económico e social. Ela gera riqueza, mas também gera desigualdade e assentamentos informais”, afirma Lopez-Moreno.

Segundo a ONU, pouco mais de metade da humanidade está hoje concentrada em médias e grandes cidades e estima-se que chegará a dois terços nos próximos 50 anos.

Isto poderá agravar nas grandes metrópoles os problemas de transportes, mobilidade urbana, falta de saneamento básico e degradação do meio ambiente, alerta o organismo.

Como ressalta Lopez-Moreno, o “urbano dividido” gera segregação espacial, uso maior de energia e altos custos financeiros.

Atualmente, metade da população mundial (3,5 mil milhões de pessoas), mora em áreas urbanas, e cerca de mil milhões de pessoas vivem em condições precárias nas principais cidades do mundo.

O último balanço aponta que o número de moradores de favelas cresceu de 776 milhões para 827 milhões na última década e poderá alcançar a quase 890 milhões em 2020.

Criado em 2002, o Fórum Urbano Mundial já se realizou em Nairobi (Quénia), Barcelona (Espanha, 2004), Vancouver (Canadá, 2006) e Nanjing (China, 2008).

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

 

 



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