O candidato à liderança do PSD Pedro Passos Coelho apresentou hoje a moção global de estratégia, cujas “preocupações essenciais estão voltadas para o país”, considerando que Portugal tem pela frente “uma tarefa fazível mas gigantesca”.
Considerando prioritário apresentar soluções para o país, que está “hoje mais assimétrico e tem menos coesão demográfica e territorial”, Pedro Passos Coelho salientou que a sociedade portuguesa “acredita menos nas suas instituições”.
“As pessoas quando olham para os poderes públicos não olham com respeito”, disse, acrescentando que “a justiça que deve ser uma âncora de um Estado de direito hoje é motivo da maior suspeição”.
Consciente de que “não são fáceis os desafios existentes”, Passos Coelho afirmou que é necessário ”mudar muitas regras, reavaliar as funções do Estado, para que ele volte a ser credível, isento e independente nas suas funções nucleares”.
“Precisamos que o Estado se deixe de armar em empresário quando existem iniciativas da sociedade civil, na nossa própria economia, que melhor do que o Estado resolvem as nossas aspirações”, sublinhou.
Para o candidato o “Estado não pode demitir-se da responsabilidade social” nas áreas da saúde, educação, cultura e segurança social.
“Manifesto claramente grande simpatia pelo chamado sistema de voto preferencial que corresponde à possibilidade de termos círculos eleitorais mais pequenos, de modo a que os cidadãos quando forem chamados a escolher possam preferir a ordem dos eleitos”, realçou.
O candidato à presidência do PSD defendeu ainda a necessidade de “despartidarizar” a administração, de desgovernamentalizar o Estado, apontando não apenas para reformas ao nível da regulação e dos seus instrumentos mas também para uma prática política diferente.
“Precisamos também de ser gente prática. De uma vez por todas o país precisa que os seus políticos possam arregaçar as mangas e ter ideias concretas e práticas”, sustentou.
Passos Coelho dedicou uma parte da sua moção à reestruturação interna do partido e a ideias que gostaria de ver implementadas no PSD.
“A maneira como conseguirmos, dentro do nosso próprio partido, encontrar um espaço de pluralismo, de tolerância e de debate, é essencial para o cimento que precisamos de apresentar à sociedade portuguesa”, disse.
O candidato assumiu o compromisso de “propor a realização de um amplo debate sobre a atualização do programa do PSD e sobre uma profunda revisão estatutária”, acrescentando que este processo deverá “culminar na realização de um congresso que aprove o novo programa e os novos estatutos”.
“Proponho a criação de um conselho consultivo do presidente do PSD, constituído estatutariamente por todos aqueles que já foram presidentes do PSD, primeiros ministros e presidentes da Assembleia da República”, anunciou.
Passos Coelho comparou este órgão a uma “espécie de senado do PSD”, que seja “uma âncora de história viva que ajude o partido a percorrer os novos caminhos”.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.




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