Toda a gente imagina o que são dores-fantasma. Os neurologistas usam a palavra para descrever dores em partes do corpo que foram amputadas. O "British Medical Journal" conta a história de um marinheiro que ainda sentia o dedo indicador 40 anos depois de o ter perdido. Os seus movimentos continuavam condicionados pelo indicador inexistente. Quando levava comida à boca, tinha sempre medo de espetar o dedo indicador num dos olhos.
Há mais de uma década que o PSD anda assim. Amputado de Sá Carneiro, em 1980, e de Cavaco Silva, a partir de 1995, o partido laranja ficou sem bússola. Deixou de acreditar nos líderes que foi elegendo. Dividiu-se ainda mais do que seria normal acontecer. Na verdade, não se dividiu, fragmentou-se. Nogueira, Marcelo, Durão, Santana, Mendes, Ferreira Leite - todos foram engolidos pela ansiedade de voltar ao poder o mais depressa possível. Nenhum deles soube resistir ao desgaste, à guerrilha interna e aos fracassos eleitorais. Desistiram ou saíram derrotados. Refugiaram-se em parte incerta, mas nunca deixaram de pairar sobre o partido, desfiguran- do-o ainda mais.
O PSD de hoje é o que sempre foi: uma maria-vai-com-todos. Sonha com Joana Amaral Dias para fazer oposição ao governo, mas também suspira por Paulo Portas. Não quer enviar mais tropas para o Afeganistão e até aceita o casamento entre padres, mas também acha que a legalização do aborto foi um erro e que a RTP deveria ser privatizada. Onde ficamos? À esquerda, à direita ou em lado nenhum? Em lado nenhum, claro. É por isso que escolher um líder forte não é só importante, é vital. Sem ele, o PSD fica sem unidade e sem cabeça. Agoniza longe do poder e dos votos. Perde a única razão válida para existir.
Director-executivo




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