Tendência

Economia continua a recuperar de mínimos, mas confiança cai

Publicado em 20 de Março de 2010   
Dados do Banco de Portugal confirmam tendência de recuperação económica muito modesta
Opções
a- / a+
Sexta-feira, dia de mais uma chuva de indicadores sobre a economia portuguesa. Como vem sendo hábito nos últimos meses, os números - desta vez publicados pelo Banco de Portugal - apontam em direcções diferentes: a confiança dos consumidores caiu em Fevereiro, mas o consumo privado subiu; a actividade está a recuperar, mas o índice sentimento cai. Como navegar entre estes sinais contrários?

A primeira coisa a saber é que a tendência geral é de recuperação económica modesta, a partir dos níveis mínimos atingidos em 2009, ano da maior recessão desde 1975. A informação publicada no boletim de conjuntura do Banco de Portugal mostra isso mesmo: o indicador de actividade mensal, a recuperar das profundezas da crise desde Maio de 2009 e em terreno positivo desde Janeiro deste ano, acelerou ligeiramente em Fevereiro (0,3 pontos).

Esta melhoria relativa está relacionada com o comportamento do consumo privado, que representa cerca de dois terços da criação de riqueza em Portugal. Em Fevereiro, o indicador coincidente do consumo privado - em recuperação também desde Maio do ano passado - subiu 2,6 pontos em relação ao mesmo mês em 2009, na maior variação mensal desde Janeiro de 2005.

"A explicação mais racional para este crescimento está no facto de a base de comparação ser o início do ano passado, altura em que a economia estava mais deprimida", aponta Paula Carvalho, economista do BPI. "Para já não há mudanças nos outros factores que influenciam o consumo: os juros estão estáveis há alguns meses e o mercado de trabalho continua a piorar", acrescenta.

Assim se explica a quebra da confiança e do indicador de sentimento - a economia recupera de níveis mínimos, mas os frutos para consumidores e empresários ainda não são visíveis. Para 2010 o governo prevê um crescimento económico muito magro, de 0,7%.

Em Fevereiro, as notícias da pressão externa sobre a dívida pública portuguesa e da necessidade de consolidação do défice orçamental - com a hipótese, entretanto confirmada em Março, de subida de impostos - contribuíram também de forma imediata para baixar a confiança.

O boletim de conjuntura do Banco de Portugal mostra que o indicador de confiança dos consumidores caiu em Fevereiro (para os valores de Dezembro), continuando em terreno bem negativo. O indicador de sentimento económico também caiu.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close