Médio Oriente
Israel sob pressão. Quarteto quer congelar colonatos
por Liliana Valente, com Sandra Pereira, Publicado em 20 de Março de 2010
Primeiro-ministro israelita quer fazer as pazes com os EUA, mas ainda não confirmou se vai responder ao pedido da comunidade internacional
A comunidade internacional falou a uma só voz. O Quarteto para a Paz no Médio Oriente (EUA, União Europeia, Rússia e Nações Unidas), que tem mediado as negociações entre Israel e a Autoridade Palestiniana, pressionou directamente Israel a abandonar o plano de construção de 1600 casas em Jerusalém Oriental.
Depois de uma reunião em Moscovo, as quatro potências deixaram clara, esta sexta-feira, a sua posição: "O Quarteto pede ao governo de Israel que congele toda a sua actividade para a construção dos colonatos, incluindo a natural, desmantele todos os colonatos construídos desde Março de 2001 e se abstenha de fazer demolições e despejos em Jerusalém Oriental", afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon em nome dos representantes do Quarteto. A mensagem é simples e tem como destinatária a administração de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, que, segundo o especialista em política internacional, José Goulão "continua a comandar o processo". A comunidade internacional quer que Israel ceda na colonização para permitir a continuidade das negociações mediadas. Diálogo em que "Israel não está interessado", diz o especialista. Contudo, numa conversa telefónica com a chefe da diplomacia norte-americana, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, terá dado um sinal de querer fazer as pazes com Washington, admitindo que há que restabelecer a "confiança mútua" com os palestinianos, segundo confirmou ontem o porta-voz de Hillary Clinton.
Paz a prazo As declarações do quarteto internacional estabeleceram um prazo para o fim da colonização do território de Jerusalém. Ban Ki-Moon espera que se desenvolvam negociações para que o assunto fique resolvido até segunda-feira. Uma posição que, para José Goulão, em nada muda o panorama no Médio Oriente. O especialista em questões do Médio Oriente diz que "os apelos são relativamente novos, mantém-se apenas a pressão verbal, mas sem nenhum iniciativa", como por exemplo "uma sanção" económica.
Para já, ficam as palavras do Quarteto, que recorda a Israel que "a anexação de Jerusalém Oriental [pelo Estado de Israel] não é reconhecida pela comunidade internacional". E as declarações internacionais insistem no registo de pressão: "O estatuto de Jerusalém deve ser resolvido através de negociações entre as partes." O Quarteto condena por isso "a decisão de Israel para a construção de novas habitações", conclui a declaração.
violência O aumento da tensão passou das palavras para o terreno. Israel respondeu na sexta-feira ao ataque palestiniano de quinta-feira, que provocou a morte de um agricultor e bombardeou seis alvos na Faixa de Gaza, causando ferimentos a duas pessoas. O porta-voz do exército israelita garantiu que o ataque atingiu alvos predefinidos e que o governo vai continuar a actuar "contra qualquer um que utilize o terror contra Israel".
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