Droga

Star Wars: Memórias de um robô inglês - vídeo

por Tiago Pereira , Publicado em 20 de Março de 2010   
A saga vai estar em concerto em Lisboa. O anfitrião é Anthony Daniels, ou melhor, o inesquecível C3PO
Opções
a- / a+

Anthony Daniels, 64 anos, está à nossa frente num hotel lisboeta. Pede "chá com bolachinhas, mas das boas". Aponta para o relógio e diz que está na "hora certa", que o início da conversa vai ter de esperar "um minuto". Nos entretantos, põe em cima da mesa o capacete do C3PO original, um daqueles artefactos tidos como sagrados para os fãs da saga cinematográfica "Guerra das Estrelas". É ele, o mordomo inglês que George Lucas não queria para integrar a produção dos seus sonhos e que se transformou num dos seus ícones. Vai estar no Pavilhão Atlântico segunda e terça-feira como anfitrião do espectáculo Star Wars in Concert: "Diga-me com franqueza: não lhe parece que este é o melhor papel para alguém com uma pronúncia como a minha?"

Respondemos-lhe que sim, mas apenas para conquistar a sua simpatia, numa tentativa descarada de olhar para a cara do tal C3PO por mãos próprias. Educado e diplomático, Daniels responde que "esta peça fará parte da exposição que completa a apresentação de 'Star Wars in Concert'". Poderemos vê-la depois com mais calma. Percebemos ali que não temos hipótese. Estamos perante o único actor que marcou presença nos seis episódios de uma das maiores sagas da história do cinema, ou seja, será sempre uma espécie de defensor de um qualquer segredo maior. Contudo, este cruzado fora de época está disposto a revelar informações que não envolvam objectos potencialmente valiosos.

BLIP, BLIP 

Antes de C3PO, Daniels acreditava que todos os robôs eram como os daleks da série "Dr. Who": "Quadrados que não conseguiam fazer nada mais que ser quadrados." Mas o ser metálico em questão tinha características humanas: servia bebidas, falava centenas de dialectos e mostrava vontade própria. Para lhe dar vida, o actor precisou de "seis meses de preparação", fora os incómodos do traje. "O calor era realmente insuportável, mas preferia ter o fato vestido o dia inteiro a tirá-lo para as refeições. O mais difícil era pô-lo." Depois tinha de contracenar com R2D2, "um robô anão que no guião dizia 'blip, blip'". A verdade é que durante a rodagem Daniels não ouvia qualquer som daquela pequena grande lata. "Era como contracenar com uma cadeira. Os sons do R2 foram adicionados na pós-produção, como quase todos os efeitos sonoros dos filmes." A voz de C3PO sofreu o mesmo tratamento: "Tinha um microfone instalado dentro do fato, com um receptor guardado no sítio mais incómodo possível... mas as minhas palavras eram imperceptíveis. Essa gravação servia apenas de guia. Tinha de repetir as falas em estúdio."

Daniels tem as melhores recordações de "O Império Contra-Ataca" (1980), segundo filme a ser rodado ("o favorito dos mais inteligentes", diz) e não é grande fã dos episódios mais recentes: "Não havia uma Estrela da Morte nos estúdios e tudo era feito em ecrã verde e azul." Tem pena que a C3PO nunca tenha sido oferecido um sabre de luz, mas compreende que "o protocolo não o permitia". Confessa-nos que nunca foi fã dos Ewoks (pequenos seres da família dos ursos que se estreiam em "O Regresso de Jedi", de 1983), mas aceita-os como parte de um "bem maior". Afinal a Guerra das Estrelas transformou-o em vedeta, apesar das suas mais recentes experiências profissionais: "Fiz anúncios de cereais e dei voz a uma série de GPS para carros. Não será o melhor caminho para uma estrela intergaláctica, pois não?"



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close