Entrevista ao presidente executivo da EDP
António Mexia: "As elites não podem assobiar para o lado" - vídeo
por Martim Avillez Figueiredo e Ana Suspiro, Publicado em 20 de Março de 2010
Sobre a privatização, o gestor pede clareza ao governo: As pessoas têm de perceber exactamente se o Estado está de saída, quando e como. Se fica ou não fica.
Entre apresentações a investidores internacionais, numa conferência que reuniu em Londres presidentes e financeiros das maiores empresas de energia, António Mexia, fala da "maior empresa portuguesa". O gestor de 52 anos, que lidera a EDP desde 2006, também fala da energia, de Portugal e da política, em relação à qual não fechou a porta. Num país absorvido por suspeitas que envolvem o primeiro-ministro e as grandes empresas e pelas polémicas sobre prémios de gestores, diz que Portugal corre "o risco de mediocridade lenta", se não souber ultrapassar os seus constrangimentos. Em vez de apontar o dedo aos políticos, António Mexia defende que cabe às elites sociais e empresariais assumir mais as suas responsabilidades. "Quem consegue beneficiar de um sistema e criar riqueza tem de devolver à sociedade", diz.
O que é que os investidores querem saber num road-show
A primeira coisa que explicamos é qual era o nosso compromisso e se o atingimos. E nisso, a EDP tem uma enorme vantagem porque tem excedido as expectativas em capacidade de entregar o que promete, em crescimento com risco abaixo do sector e em eficiência. Há também questões sobre o que esperar de 2010, quais os elementos que favorecem o crescimento, quais os principais riscos. É sempre um teste para nós porque temos de ser capazes de mostrar às pessoas para onde vamos, o que queremos e o que se quer evitar. Neste edifício [onde decorreu a conferência promovida pelo Edison Electric Institute - associação de eléctricas americanas], estão centenas de companhias. É uma oportunidade única para nos diferenciarmos. Acho que a EDP tem conseguido fazê-lo.
A crise do Sul da Europa afectou o apetite dos investidores por empresas portuguesas? Olha-se mais para o país ou para a empresa?
É óbvio que o rating da República condiciona tudo. O facto do mercado internacional ter recebido bem o PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) é importante para nós. Mas num mercado com queda de volumes e de preço (46% em Espanha, 42% em Portugal), a EDP conseguiu o melhor ano no Brasil, em Espanha, e igual em Portugal.
É suficiente para desviar as atenções da situação económica de Portugal?
É óbvio que a fragilidade no Sul da Europa não é boa. Mas o bom recebimento do PEC dá-nos alguma tranquilidade. Hoje, a percepção que tive é que viram com bons olhos.
Mas foi preciso explicar-lhes o PEC?
Sim, perguntaram pelas principais medidas. Os analistas e investidores são especialistas no sector, mas também nos pedem para explicar as principais linhas de força da política nacional.
As companhias cotadas são braços do governo a promover o PEC?
Ajudamos. A data desta conferência já estava fixada e temos de a fazer com os dados que estão à nossa volta. O nosso desafio é ter a noção de que o mundo muda, seja o rating, seja a situação macro-económica ou a procura, temos de viver com isso e nesse cenário temos de fazer aquilo que depende de nós.
O Estado ser accionista da EDP ajuda ou é um obstáculo quando quer vender a empresa nestes fóruns?
Mais do que estar ou não estar, a questão é se sai ou não sai. A participação do Estado para a estabilização accionista e ao nível do rating é vista como positiva. É importante para as decisões que temos de tomar. Neste momento, a questão essencial para os investidores é clareza. As pessoas têm de perceber exactamente se o Estado está de saída, quando e como. Se fica ou não fica.
O governo não disse.
Mas para nós, parece claro que não haverá uma alteração da posição accionista, pelo menos no curto prazo. Não haverá risco de overhang [excesso de acções no mercado].
Mas não se pode comprometer com essa resposta junto dos investidores?
Claro que não. O que digo é que quanto mais claras forem as regras do jogo melhor. O valor de uma companhia resulta essencialmente dos seus indicadores fundamentais que, no caso EDP, são muito sólidos. Mas também é influenciado pela percepção da estabilidade macro-ecónomica e, claro, por questões como essa, da participação accionista.
O Estado deve dizer quando vai vender e quanto vai vender?
Sim. O que os mercados mais gostam é de certeza. É fundamental que se perceba rapidamente se, quando e como. Isso é verdade para qualquer operação, mas a decisão é do accionista. Se ela estiver em cima da mesa, que diga qualquer coisa. É preciso é evitar incerteza.
O Estado deve ficar na EDP? Em Espanha, as eléctricas são privadas.
A participação do Estado tem sido importante para a estabilidade accionista da EDP. Em quatro anos, transformámos a EDP na terceira maior empresa do mundo nas renováveis. Do ponto de vista de negócios, a EDP tem uma estratégia global. Mais de metade dos resultados vêm de fora de Portugal e essa percentagem aumentará com o tempo. É uma estratégia que vale por si, mas a estabilidade accionista é um elemento importante para se poder implantar essa estratégia.
A saída da Iberdrola também pressiona a estabilidade accionista? O preço das acções tem vindo a cair...
Se [a Iberdrola] tivesse vendido tudo era mais fácil. O chamado risco de hoverhang [oferta exessiva de acções] fica sempre ali e a meu ver é sobrevalorizado pelos investidores. O impacto não é sobre a estabilidade accionista. Era importante reduzir ou eliminar a noção de hoverhang, que faz descer os preços.
Surpreende-o que a Galp valha mais que a EDP em bolsa?
Não é objectivo. O enterprise value é totalmente diferente, o da EDP é muito superior. A nós, preocupa-nos a criação de valor para os accionistas. Não vamos entrar num exercício de comparação. Mas gosto de sublinhar que a EDP é a empresa que mais investe em Portugal. Somos o maior investidor português no estrangeiro (impacto da EDP no PIB segundo a Universidade do Porto). Se tivéssemos cinco empresas como a EDP, a taxa de desemprego em Portugal reduzia-se para metade. O resto é bom para os jornais compararem E em price-target [preço-alvo dos analistas], a questão não se coloca. Os da EDP valorizam a empresa acima da Galp.
Para criar cinco EDP era preciso criar cinco monopólios, é isso?
Não temos qualquer monopólio. No mercado liberalizado, temos pouco mais de 60% de quota. Na parte regulada, a remuneração não depende de nós. Quando a EDP foi privatizada dependia a 100% de Portugal. Hoje, menos de 50% do resultado vem de Portugal. A remuneração das actividades reguladas caiu de 700 para cerca de 500 milhões de euros, o que mostra o aumento da eficiência. Não é a actividade regulada [leia-se o consumidor] que suporta a EDP.
O ex-ministro Manuel Pinho queria a Galp e a EDP a concorrer junto do consumidor final. E isso não aconteceu.
Fizemos o que nos competia. No gás, se incluir as co-gerações, cinco dos grandes 10 clientes são da EDP. Temos 37% de quota de mercado no gás.
Mas isso não chegou aos domésticos?
Estou falar dos clientes onde foi criada margem para haver concorrência. No gás, o mercado doméstico só foi liberalizado a 1 de Janeiro de 2010 e estamos a preparar a factura única de gás e electricidade.
Nos domésticos não há margem para concorrer com as tarifas.
Nesses clientes, a margem é muito mais pequena e será mais difícil. Na electricidade, o mercado foi liberalizado em 2006 e temos mais de 250 mil clientes. A concorrência tem muito menos. Se há para nós, também há para os outros. Em Espanha temos o dobro da quota de mercado em relação à capacidade de geração instalada. Porque é que nossos concorrentes em Portugal não fazem o mesmo?
As tarifas são um obstáculo à concorrência. Não deveriam acabar?
Devem acabar no mercado industrial. Mas deve acabar-se com as tarifas num momento que as pessoas associem a uma descida de preços. E nem sempre isso é possível. No passado, a liberalização esteve associada a subidas de preços, o que as pessoas dificilmente compreendem.
O momento é agora?
Estamos preparados para qualquer decisão. Acho que dificilmente vamos ter outro momento histórico em que confluam a noção de excesso de capacidade (criada pela diminuição da procura), gás barato no mercado ibérico e muita chuva, o que faz com que hoje os preços de energia estejam muito abaixo do que estruturalmente deviam estar para rentabilizar os investimentos a longo prazo.
Depois de anos a discutir novas centrais, Portugal tem excesso de capacidade de produção?
Não. O que se passa é que este foi o Inverno mais chuvoso das últimas décadas, acompanhado de muito vento. Houve também uma queda da procura em 2009, o que faz com que o lado térmico (carvão e gás) trabalhasse menos. O mercado ibérico investiu para um crescimento da procura que não se verificou. Até que se dê essa absorção, tem conjunturalmente excesso de capacidade. Mas a nova capacidade instalada também contribuiu para a redução dos preços e a aproximação entre Portugal e Espanha.
Qual será o papel do carro eléctrico no sistema eléctrico?
É fundamental. O consumo anual de um carro eléctrico equivale ao de uma família. Se num instante mudasse toda a frota automóvel, ficava com mais 4,5 milhões de consumidores (famílias) de electricidade em Portugal. Aumentava a procura em dois dígitos, mas reduzia a factura energética nacional em mais de dois mil milhões de euros, a números de 2007, e aumentava a eficácia do sistema.
E era bom para a EDP...
Para a EDP e para os outros operadores. Mas tem outros impactos importantes. O carro, tal como a água, ajuda a resolver um dos principais problemas do sistema eléctrico: a armazenagem. Só guardo energia numa barragem ou na bateria de um carro. O carro vai revolucionar essa questão. Permite encher à noite, quando é barato, e gastar durante o dia. A grande questão tem a ver com a autonomia. A bateria garante-me 160 km sem abastecimento, que é mais do que suficiente para 95% das utilizações diárias. Mas as pessoas querem poder viajar mais tempo. E para isso há várias soluções: a evolução de autonomia das baterias ou uma rede de enchimento mais rápido.Tecnologicamente já é possível, mas é muito caro. É preciso uma revolução tecnológica como aconteceu nos telemóveis.
Que interessa à EDP promover a eficiência energética (menos consumo)? Vai contra o vosso negócio.
Deve ser a prioridade número um em qualquer política energética. Só que a eficiência energética é um daqueles negócios estranhos: há notas de 100 euros no chão e ninguém as apanha. Quando se sabe que mudando para uma lâmpada de baixo consumo se poupa 80%, então porque não mudar todas? Há inércia. Temos tentado mudar isso e investimos para que as pessoas possam reduzir a sua factura e manter o conforto.
É sustentável continuar a subsidiar a este ritmo as eólicas em Portugal?
O que está em causa é se as fontes de energia poluente estão ou não a pagar a totalidade do custo associado ao efeito das emissões. O problema é que o mercado do CO2 não está a funcionar. As licenças foram atribuídas para uma evolução da procura que não se verificou e o preço do CO2 está muito baixo. O que faz sentido, como a Europa está a fazer através das tarifas, é criar incentivos que permitam a rentabilidade necessária à introdução de energia mais limpa, que também tem mais autonomia, é independente do exterior e menos vulnerável a choques de preços.
Não deveria haver um limite para as eólicas, como na Dinamarca?
O que acho inadequado é que hoje se decidisse que Portugal tem renováveis a mais. Isso é ridículo. Da mesma forma que não se deve fechar a porta ao carvão. A questão essencial em energia, em que os investimentos têm um ciclo longo, é evitar dizer: isto não.
Então não se devia ter fechado a porta ao nuclear?
Acho fundamental que o nuclear não tivesse sido posto em cima da mesa. Não teríamos hoje o hídrico e o eólico, se tivéssemos aberto essa porta. Não tenho nada contra a discussão do nuclear. Mas só faz sentido no mercado ibérico. Portugal não tem escala para o nuclear, que só vem em tamanho XL. O timing dessa discussão não é uma prioridade, até porque não traz nada de novo num prazo de 10 a 12 anos. E é ainda menos prioritário quando existe excesso de capacidade e os preços estão baixos.
Está quase a meio do segundo mandato. Como vê a EDP daqui a dois anos?
Nestes quatro anos, esta equipa conseguiu encontrar uma história de crescimento com baixo risco, única. E conseguiu-a com competências que estavam adormecidas (hídrica). Ao mesmo tempo, construímos competências numa área que não era mais de 1% do resultado operacional e que hoje já pesa mais de 16%, criando o terceiro maior operador de renováveis. É uma história que dá visibilidade para lá de 2012. Agora é tempo de executar. As pessoas consideram a execução menos excitante, mas também estamos a criar opções: estamos a concorrer à eólica offshore no Reino Unido, estamos na linha da frente do veículo eléctrico e estamos a trabalhar na primeira smart city [cidade inteligente], Évora. Nos próximos 12 meses não vai mudar nada, mas vão criar-se opções para o futuro. A EDP não voltará a estar atrasada em relação a uma coisa que esteja a ditar um novo paradigma neste sector. E estamos consolidar a mudança cultural: 11 países, 16 nacionalidades. Juntar um português, um americano, um brasileiro e um espanhol é melhor do que ter pessoas de uma só nacionalidade.
A estratégia da EDP dependeu muito da política do governo: renováveis e hídricas.
Nós dependemos das boas ideias. É surpreendente ver como o desenvolvimento hídrico estava na gaveta. Sinto que a EDP teve um contributo decisivo para o Plano Nacional de Barragens. Tal como foi decisivo para as eólicas que tivéssemos ganho o primeiro concurso.
Mas houve uma sintonia grande entre a EDP e o ex-ministro Manuel Pinho.
Como a ideia é boa é fácil haver alinhamento. Se tivéssemos de escolher uma área em que Portugal se distinguiu foi na política energética e na capacidade de execução pelas empresas.
Quando discute a politica e a execução, fala com o ministro da Economia ou com o primeiro-ministro?
Discuto com as 12 mil pessoas que trabalham na EDP e com os investidores e accionistas. A EDP está, como nenhuma outra empresa, a cumprir o seu papel de maior empresa portuguesa, em termos de emprego, de investimento e em efeito de cadeia sobre outras empresas.
Sempre defendeu que o Estado não devia ter uma presença condutora da economia. O Estado mais ausente teria ajudado ou prejudicado a EDP?
É outra questão que não tem a ver com a EDP. Portugal, tipicamente, não redistribui rendimento. As pessoas não querem pagar portagens, propinas nem hospitais. Basicamente, não querem pagar. E fica difícil fazer redistribuição de rendimentos se não se tiver o princípio do utilizador-pagador para libertar recursos e dirigi-los a pessoas em vez de sistemas. Em Portugal, damos garantias de que as pessoas partem o mais possível do mesmo sítio., mas queremos que todos cheguem ao mesmo tempo. A questão não é igualar o ponto de chegada, é igualar o ponto de partida.
Acompanhou este congresso do PSD?
Só do sofá.
Admite voltar à política?
Fui ministro [das Obras Pública do governo de Santana Lopes] pouco mais de nove meses. Gostei imenso. Mas agora tenho a sorte de estar a fazer aquilo que me apetece. O sector da energia é excitante do ponto de vista de mudança, de paradigma social e de política. A energia está no coração das principais temáticas mundiais. Digo às pessoas da EDP que temos a sorte de estar num sítio que é muito excitante. De resto...
Mas não é uma porta fechada?
Gosto mais de abrir do que fechar portas.
O PSD está a fechar portas?
Em Portugal gosta-se de olhar para as coisas como um jogo de soma nula. Aquilo que A tem, B deixou de ter. Isso é terrível. A discussão que há em torno dos bónus dos gestores é um caso típico.
Qual vai ser o bónus da comissão executiva da EDP?
Vai ser fixado pela comissão de vencimentos. Há seis anos que temos o salário fixo congelado. O sistema da EDP é muito exigente. Se eu me afastar mais de 10% dos objectivos fixados, que todos reconhecem ser muito ambiciosos, o bónus passa a zero. A margem de erro é mínima. A política foi apresentada em assembleia geral e toda a gente a conhece.
Não percebe então as polémicas à volta dos prémios dos gestores?
Com a criação do escalão dos 45% de IRS temporário estou completamente de acordo Agora, não concordo com o ataque aos gestores. A política de redistribuição de rendimentos faz-se mais através dos impostos do que de escolhas demagógicas de alvos aparentemente fáceis. Nunca se deve basear a política na mediocridade nem na inveja, até porque elas tendem a coligar-se. E é um comportamento altamente destrutivo.
Foi o que fez Teixeira dos Santos?
Não. O que não gosto é quando escolhem o senhor A ou o sector B, o gestor de uma grande empresa. Devemos evitar comportamentos demagógicos. Mesmo no caso das empresas públicas - que por vezes têm prejuízos porque estão a desempenhar uma função. Não é só o lucro que conta. É preciso ver se as empresas estão a fazer melhor que os seus pares.
Mas o Estado, enquanto accionista, quer limitar os prémios até na EDP.
A lei é clara. A política de remunerações é aprovada em assembleia geral. Quem é soberano é a comissão de vencimentos, que sai do conselho geral e de supervisão, que foi aprovado pelos accionistas. Há mais de dez anos que esta empresa não é uma empresa pública.
Então as suspeitas instrumentalização da PT para favorecer planos do governo não poderiam acontecer na EDP?
No caso da PT, segundo disse o seu presidente executivo, essas suspeitas eram um insulto. Cito o CEO da PT. Acho que a palavra instrumentalização serve para desviar as atenções da realidade.
E qual é a realidade?
Como cidadão, prefiro pensar em como Portugal pode crescer mais, resolver os seus constrangimentos e criar riqueza.
Saber se um primeiro-ministro é culpado das suspeitas de que tem sido alvo, até de suborno (caso Freeport), é-lhe indiferente?
Acho que está claro que não terá sido o caso. Há uma certa poluição, que acho exagerada, em relação às questões-chave para se evitar o principal risco que Portugal tem hoje, o de mediocridade lenta, se não souber ultrapassar os seus constrangimentos. E isso, essencialmente, tem a ver com o papel das elites. As elites sociais e empresariais têm de assumir as suas responsabilidades e não assobiar para o lado. É isso que tento fazer enquanto cidadão e como presidente da EDP. O resto pode ser importante, mas o que me preocupa é evitar a degradação da qualidade institucional em Portugal. A facilidade com que queremos degradar a imagem das instituições é assustadora. O número de especialistas que temos sobre tudo e sobre nada, devemos ter 30 mil especialistas de TGV em Portugal...
Tem-se perdido demasiado tempo com algumas polémicas?
Vendo os canais de informação, quando uma pessoa sente uma certa exaustão sobre esses temas. Tem também a ver com a dimensão do país.
A liberdade de mudar o canal de tv é maior do que a de mudar de fornecedor de electricidade...
A electricidade é hoje mais barata que a da média da Europa e de Espanha. A liberdade de escolha do fornecedor, pelo menos nos industriais, é grande. Não é aí que está o desafio. Se as pessoas estivessem menos horas à frente da TV e menos horas no shopping,era um bom sinal de mudança cultural para uma sociedade mais livre, criadora de objectivos e horizontes e maior responsabilidade inter-geracional.
E isso é missão da política?
É uma missão de todas as instituições. A qualidade institucional é uma responsabilidade das elites e estas não têm a ver só com a política. Passa por uma mudança da responsabilidade de quem gere a riqueza para criar novos horizontes, novos empregos. Acho que a EDP nisso é um símbolo. Quem consegue beneficiar de um sistema e criar riqueza tem de devolver a sua parte a essa sociedade. Essa responsabilidade hoje em Portugal é menor do que deveria ser. Há exemplos do contrário: EDP, Jerónimo Martins e BES.
Só há esses três?
Há outros. Hoje digo estes. Amanhã diria outros. Claro que a EDP estaria sempre presente.
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