Prostituição
Bordéis. Deputada de Sarkozy quer legalizar prostituição
por Rosa Ramos, Publicado em 20 de Março de 2010
Sete anos após o debate sobre a legalização do negócio do sexo, a direita francesa regressa ao tema
Chantel Brunel, eleita deputada pelo partido do presidente francês Nicholas Sarkozy (UMP), foi nomeada para dirigir o observatório francês para a igualdade entre homens e mulheres. Pouco tempo depois de assumir as rédeas do instituto fez estalar a polémica na sociedade francesa. Numa entrevista publicada pelo jornal "Le Parisien", a deputada da União por um Movimento Popular defendeu a legalização dos bordéis franceses. A medida, acredita, servirá para proteger as prostitutas da exploração, do tráfico e da violência de que são alvo nas ruas.
Os eleitores franceses apoiam a ideia, revelam as últimas sondagens. A maioria (59%) mostra-se favorável à reabertura das maisons closés (casas fechadas). O debate não é, aliás, novo em França. Em 2003, quando Nicholas Sarkozy era ministro do Interior, foi aprovada uma lei que penaliza com prisão as prostitutas que ofereçam os seus serviços e quem as procure. À data, 26% dos franceses opunham-se à reintrodução dos bordéis em França. Sete anos depois, as sondagens mostram que apenas 10% mantêm essa opinião.
Chantel Brunel participou na discussão de 2003 e até votou a favor da nova legislação. Ontem justificou a mudança de opinião com o facto de a concretização da lei ter falhado. "Já está na altura de nos afastarmos das tentativas de eliminar a prostituição e em vez disso tornarmos o negócio do sexo mais seguro e transparente", referiu. "As prostitutas são mais mal tratadas agora do que antes. Temos de acabar com a exploração."
Chantel pediu às autoridades francesas que estudem a possibilidade de criar e legalizar centros onde as prostitutas possam atender clientes, "dentro de uma estrutura regulada e protegida".
Em 1946, a França mandou fechar mais de 1400 maisons closés, com a introdução da lei Marthe Richard - o nome de uma prostituta que se tornou política e lutou para tornar os bordéis ilegais, de forma a acabar com o negócio do sexo.
Chantel Brunel, que recentemente lançou o livro "Acabar com a Violência contra as Mulheres", é acusada de encorajar o regresso aos "maus velhos tempos".
A deputada garante que não se trata de recuperar o modelo antigo dos bordéis, mas antes de introduzir o conceito de maisons ouvertes (casas abertas): espaços que que forneçam, simultaneamente, abrigo e cuidados médicos. "A ideia não é regressar a 1945, mas ver as prostitutas em trabalho cooperativo, como numa empresa profissional", sustentou. Neste modelo, explica, não existe uma figura "patronal" que recolha parte do lucro.
As opiniões dos especialistas franceses dividem-se. Sociólogos como Françoise Gil, membro de uma associação de direitos das mulheres, apoia a ideia e defende as maisons ouvertes, onde as prostitutas se possam reunir sem proxenetas.
Outros activistas mostram-se escandalizados com a proposta. Bruno Lemettre, do Mouvement du Nud (uma associação contra a prostituição), considera a proposta inaceitável: "Que tipo de sociedade fecha as suas mulheres para prazer dos seus homens?", questionou.
Estima-se que em França existam entre 20 e 30 mil prostitutos - homens e mulheres - a tempo inteiro. Destes, 80% serão estrangeiros. Brunel vai reunir, na próxima semana, com um grupo de trabalho encarregado de discutir a matéria.
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