Tendência para 2010 em Portugal: o pé-de-meia volta a estar na moda

por Maria Catarina Nunes, Publicado em 19 de Março de 2010   
Os portugueses elegem a poupança em lugar do consumo, pela primeira vez desde a última década
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Já não acontecia desde o início do milénio: as intenções de poupança dos consumidores são superiores às intenções de compra, em Portugal, enquanto a média dos 12 países europeus mantém um saldo positivo em relação ao consumo. A conclusão é do Barómetro do Consumidor Europeu, realizado pelo Observador Cetelem, que analisou os comportamentos do consumidor face à crise financeira.

"Há hoje uma crescente preocupação com as poupanças, existindo mais gente a querer poupar do que a querer consumir", explica Miguel Cabaça, administrador-delegado da Cetelem.

A crise levou os consumidores a adoptar atitudes mais prudentes e apesar de se prever que os portugueses consumam mais em áreas como o imobiliário, electrodomésticos e tecnologia, a intenção de poupança é superior aos gastos. A conclusão é: o pé- -de-meia voltou a estar na moda. Esta intenção de poupança é essencialmente "uma tendência do nosso país", explica Conceição Caldeira, responsável do Observador Cetelem. E acrescenta que, em geral, os compradores pretendem consumir melhor, com mais qualidade. Segundo o estudo, 98% dos inquiridos revelam que o mais importante na hora de comprar é o preço do produto, seguido pela qualidade do mesmo (94%) e pelo carácter justo (86%) e ecológico (69%).

Como consequência da crise prevê-se que os portugueses passem a comprar e vender mais produtos usados. Os líderes neste segmento são os produtos culturais - livros, música, filmes - e o sector automóvel. Existe assim uma tendência para a diferenciação de um mercado "antes da crise" e de um "pós-crise": 74% dos portugueses afirmam que as alterações da economia vão afectar a sua forma de consumir, apenas ultrapassados pela Hungria (80%). Portugueses e húngaros, lideram a intenção de poupança para os próximos anos na Europa.

O estudo foi realizado em Dezembro de 2009, utilizando um universo de 500 indivíduos, em 12 países, ou seja, um universo total de 8000 europeus.


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