PJ: buscas são sinal de rigor, credibilidade e transparência, diz associação sindical

Publicado em 18 de Março de 2010   
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O presidente da associação sindical que representa os investigadores da judiciária considerou hoje que a realização de buscas a departamentos desta polícia é um sinal da cultura de rigor, credibilidade e transparência da instituição.

Carlos Anjos falava à agência Lusa a propósito de buscas da Judiciária à Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) desta polícia, após um documento alegadamente com o timbre da PJ ter sido apreendido durante as buscas do processo Face Oculta a um dos suspeitos daquele caso.

O presidente da Associação Sindical dos Funcionários da Investigação Sindical (ASFIC) sublinhou que a PJ procedeu com a "transparência que é seu apanágio" e disse que o "dever de exigência" da PJ consigo própria é "muito importante", pretendendo a judiciária esclarecer completamente se houve "alguma fonte ou fuga de informação no seu interior".

Carlos Anjos lembrou que este tipo de ações (buscas no interior da PJ) não é inédito, tendo já acontecido noutras situações, algumas das quais culminaram com a prisão de elementos da PJ e a sua punição pelos tribunais.

O presidente da ASFIC disse não estar preocupado com o problema da imagem da PJ, porque fica "mais confiante nas instituições que se auto-investigam do que naquelas que dizem que está tudo bem", quando não está.

"Nós (PJ) não estamos preocupados com a imagem, mas estamos preocupados se a PJ tem ou não boas práticas", frisou.

Para Carlos Anjos é com este tipo de procedimentos e de atuação que a PJ constrói a sua própria credibilidade, o que não acontece noutras instituições, mesmo da Justiça, onde não há este tipo de "auto-investigação" e onde ninguém é punido.

A notícia de buscas na UNCC, a pedido do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), foi hoje avançada pela revista Sábado.

Uma fonte ligada ao processo revelou à agência Lusa que o documento com o timbre da PJ, apreendido durante a investigação do Face Oculta, "não tem a ver com o processo investigado em Aveiro", relacionado com crimes de corrupção, fraude fiscal entre outros ligadas a empresas privadas e do setor empresarial do Estado.

O documento estava relacionado com um processo em investigação na UNCC, pelo que foram determinadas buscas, realizadas pela própria PJ, a essa unidade da Judiciária. A mesma fonte explicou à Lusa que a existência desse documento fora da UNCC "pode configurar um crime de violação de segredo de justiça ou segredo profissional".

O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção relacionados com empresas privadas e do setor empresarial do Estado, tendo sido constituídos 18 arguidos.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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