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O dérbi à mesa: patanisca vs. francesinha

por Tiago Pais, Publicado em 19 de Março de 2010   
Este domingo joga-se o final da Taça da Liga: Benfica-F.C.Porto. Se quiser acompanhar o jogo com receitas tradicionais, saiba onde se dirigir
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Para os benfiquistas, pataniscas de bacalhau...

A história dos petiscos lisboetas não é fácil de contar. Porque falta à capital um equivalente à francesinha, um déspota das ementas. Falta um soberano, sobram os fidalgos. E quem o diz é quem mais sabe sobre Lisboa. José Sarmento Matos, olisipógrafo, aponta as iscas com elas e as ostras do Tejo (no tempo em que existiam) como petiscos típicos da capital. Gabriela Carvalho, outra estudiosa, fala dos pastéis e das pataniscas de bacalhau. Para acompanhar a bola centremo-nos nestas últimas. Segundo a historiadora, pataniscas e pastéis têm uma origem comum. Nasceram em Lisboa, das aparas de bacalhau que os galegos guardavam nas suas tabernas, no século XIX. Mas o dedo galego não as torna menos alfacinhas. Os primeiros imigrantes da Galiza chegaram à cidade 400 anos antes. Eram nómadas, mas foram ficando. Trabalharam na indústria naval, no Aqueduto das Águas Livres, abriram tabernas e carvoarias. Os lisboetas queriam que fossem expulsos da cidade, porque, diziam, os galegos roubavam empregos. Pina Manique recusou-se a expulsá-los. "E depois quem é que mete as mãos no carvão?", perguntou ao povo. Ninguém. Ficaram os galegos, as tabernas e as pataniscas. Até hoje.

Clara Chiado
António Clara abriu o restaurante homónimo do Campo Mártires da Pátria, esteve no Clube dos Empresários e andou pelo Mónaco a servir Rainer e Grace. Voltou a Lisboa em 2009. Na casa do Chiado o bacalhau é de excelência. E as pataniscas a entrada perfeita.

Largo Rafael Bordalo Pinheiro 27, Lisboa. 213 431 267. Não encerra

Isaura
Tão tradicional como a sua ementa, o Isaura é um destino seguro sempre que o estômago exige comida portuguesa. As pataniscas são presença habitual no menu e na mesa dos comensais. A escolha não é por acaso, é uma das especialidades da casa. A garrafeira oferece acompanhamento à altura.

Av. Paris 4B, Lisboa. 218 480 838. Encerra ao sábado.

Merendinha do Arco
O peep-show de um lado, as pataniscas do outro. A escolha não é difícil e torna-se mais fácil depois de ver o tipo de mulheres que entra para a casa de diversão erótica. Se as pataniscas nasceram na taberna, é lá que se devem provar. E estas merecem-no.

R. dos Sapateiros 230, Lisboa. 213 425 135. Ao fim-de-semana encerra 

 

Para os portistas, francesinhas...

Escolher um prato típico do Porto é escolher entre tripas e francesinhas. Resolve-se a questão da maneira mais justa. Moeda ao ar. Ganham as francesinhas. Para saber como nasceram basta um telefonema para o restaurante onde tudo começou, o Regaleira. Manuel Ferreira, um dos sócios, já terá contado a história inúmeras vezes. Mas nota-se que o faz com gosto. Conta que a francesinha é uma invenção de um ex-emigrante, Daniel David Silva. O dito sr. Silva, nascido em Terras de Bouro, Braga, arranhava um bocadinho de francês (desconhece-se se tocava piano). Decidiu, por isso, emigrar para a Bélgica. Mas quando chegou percebeu que a pronúncia local lhe iria dificultar a vida. Foi para França, onde fez carreira como barman, com tanto sucesso, que foi recrutado para voltar ao Porto. Entrou na cozinha do Regaleira pela primeira vez em 1952. Horas depois nascia a francesinha. Um aperitivo, baseado nos franceses croque-madam e monsieur, e que se transformou, posteriormente, em refeição. E em instituição da cidade.

Regaleira
No sítio onde tudo começou, a francesinha ainda é quem mais ordena. Com a receita original de Daniel Silva. A francesinha tanto pode ser feita em pão biju, tipo aperitivo, como em forma, para refeição. O segredo está no molho. E ninguém revela a receita.

Rua do Bonjardim 87, Porto. 222 006 465. Encerra ao sábado

Bufete Fase
Há quem diga que é uma das catedrais da francesinha. Não é. É uma capela, e das pequenas. Mas o culto é justificado. Se conseguir agarrar um dos 15 lugares espere para ser surpreendido. Vai voltar sempre que puder.

Rua de Santa Catarina 1143, Porto. 222 052 118. Encerra aos domingos

Locanda
Francesinhas há muitas no Porto e arredores, mas a do Locanda é especial. É feita em forno de lenha, um trunfo que leva a Canelas legiões de fanáticos pelo petisco. A viagem é longa mas vale a recompensa.

Travessa do Buel 40, Canelas (Gaia). 227 623 509. Não encerra



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