Culto

Tudo o que podemos aprender com "Walker, o Ranger do Texas" - vídeo

por Luís Leal Miranda, Publicado em 19 de Março de 2010   
O único herói de acção ruivo marcou as tardes televisivas de uma geração. A série está agora toda disponível em DVD
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Quem tiver a sorte de conseguir sintonizar a Telecento 13, canal generalista da República Dominicana, pode ver todos os dias de semana à tarde mais um episódio de "Walker, o Ranger do Texas". A mesma sorte tem quem conseguir apanhar a frequência da RTK, no Kosovo. Todos aqueles que não investiram numa antena parabólica têm, desde a semana passada, outra maneira de seguir a série que celebrizou um dos mais emblemáticos (e inexpressivos) actores de sempre: Chuck Norris.

São 51 DVD, 9090 minutos divididos por 202 episódios com tudo o que se passou em oito anos de justiça aplicada ao pontapé (a colecção pode ser adquirida na Internet, em lojas como a www.amazon.com). A série, 45 minutos de uma história de crime numa cidade do Texas onde toda a gente domina uma arte marcial, terminou em 2001 mas continua no ar graças a intermináveis reposições. Em Portugal, a SIC transmitiu a série com mais pontapés rotativos da história da televisão.

 

 

1. Um vilão só é derrotado se levar com um “roundhouse kick” algures entre o queixo e a cintura.  Esse gesto terá de ser repetido até quatro vezes em câmara lenta para o espectador se certificar da complexidade e perfeição do gesto técnico.

 

2. Os criminosos que se meterem no caminho de Walker não têm saída, a não ser que saiam da cidade. O ranger do Texas tem a sua acção limitada geograficamente por motivos legais ou saudades de casa – a série não chega a justificar bem.

 

3. Qualquer informação sobre os maus da fita pode ser obtida através da matrícula do carro. Basta introduzi-la num computador e um ficheiro abre-se imediatamente com todos os dados do meliante – e uma foto tipo passe que correu mal.

 

4. Quando tudo o resto falha, podemos sempre contar com os fantasmas. Não sendo uma série sobre o paranormal, o cowboy ruivo perito em “taek won do” tem um lado místico e um passado nativo-americano. Em vários episódios é visto a falar com Hayes Cooper, ranger falecido, ou xamãs índios já enterrados. Walker tem também uma espécie de superpoder que lhe permite farejar trilhos.

 

5. Os garotos são sempre fonte de problemas. Não há criança na série que não esteja a viver uma infância difícil. Felizmente, Walker está lá para os ajudar.

 

6. No Texas toda a gente sabe artes marciais. Sejam agentes da autoridade sejam camponeses, vaqueiros ou traficantes de droga.

 

7. Walker não sabe estacionar. É frequente ver-se o ranger do Texas a sair de carros, barcos e helicópteros em andamento, saltando directamente para as costas de um vilão.

 

8. Um carro pode ser destruído com um tiro. As raras vezes que Walker dispara, um veículo explode. Chama-se pontaria.

 

9. Uma conversa com Walker pode substituir a catequese. O ranger possui uma superioridade moral que mistura fundamentalismo cristão com budismo de livro de estação de serviço.

 

10. A lei deve ser imposta pela força, mas sem magoar. Em “Walker,  o Ranger do Texas”, os vilões caem inconscientes, mas vivos. Carros e casas explodem, mas sem ninguém lá dentro.

 

 

 



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