Especialista BD
Peter Blegvad, da música
por Cristóvão Gomes, Publicado em 19 de Março de 2010
O PRIMEIRO DISCO de Peter Blegvad intitulou-se "Sort of" e foi gravado na Alemanha em 1972 com os Faust. Tinha melodia, harmonia e um complexo conjunto de textos que se cruzavam e era cheio de referências literárias e jogos de palavras. Assim era Blegvad músico; palavroso, erudito e complexo. Colaborou com os melhores músicos do seu tempo e foi membro de um dos grupos seminais da década de 1980, os Golden Palominos. Mas chegou à década seguinte falido. Foi enquanto entretinha as crianças da vizinhança, com uns rabiscos num caderno pautado, que encontrou o destino. Um jornalista do "The Independent" viu os desenhos e recomendou-o ao jornal. Assim nasceu Leviathan, uma tira semanal que durou entre 1992 e 1999, aclamada como um brilhante cruzamento entre Krazy Kat e Calvin e Hobbes. Blegvad desenha uma criança sem feições acompanhada de um coelho de peluche e um gato, que se envolvem em situações comuns com consequências inverosímeis. Numa das tiras limita-se a reproduzir um texto de um livro sobre psicologia infantil que afirma que o tédio é óptimo para as crianças, para que descubram a criatividade do enfado. Gasta as restantes vinhetas com a repetição das anteriores. O desenho combina os elementos clássicos da ilustração infantil - o pai de Blegvad é ilustrador de livros infantis e foi amigo de Edward Gorey - com extravagâncias vindas de um sonho surrealista. O texto, que no resto do trabalho de Blegvad assumia uma importância esmagadora, é aqui reduzido ao mínimo. O resto é música.
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Artigo: Peter Blegvad, da música
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