Estado poderá ser forçado a aplicar mais impostos em 2010 - Mira Amaral

Publicado em 18 de Março de 2010   
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O Estado poderá ser forçado a aplicar novos impostos em 2010 apesar das medidas anunciadas no Orçamento do Estado e no Programa de Estabilidade de Crescimento (PEC).

"Existem incertezas económicas mundiais e sobre a economia portuguesa e não é possível estimar de forma segura a receita fiscal. Pode ser necessário que o Estado venha a recorrer de outros impostos. Esta punição sobre nós, os contribuintes, infelizmente não estará terminada", referiu Mira Amaral em entrevista à Lusa.

O presidente do Banco Internacional de Crédito (BIC) angolano esteve hoje presente num debate promovido pela consultora privada norte-americana PrincewaterhouseCoopers, onde também participaram José António Barros (AEL), João Loureiro professor da Faculdade de Economia do Porto e Jacinto Simões (Banco Finantia).

O antigo ministro da Indústria e Energia criticou a manutenção da "máquina do despesismo público", definida como "uma máquina de empobrecimento do país" e criticou a inexistência de "mudanças estruturais" nesta matéria.

Apesar de admitir que o PEC vai conseguir reduzir o défice, Mira Amaral não acredita que as medidas anunciadas sejam suficientes para impedir a fuga da economia nacional de uma "trajetória de morte lenta".

E vaticina novas dificuldades: "Vamos continuar a ter problemas económicos sérios. E após este esforço de redução do défice pode mesmo acontecer que o problema não esteja resolvido em 2013. Porque a despesa pública está lá, e vamos ter de novo problemas a partir de 2013".

A execução da reforma da administração pública "anunciada pelo anterior Governo Sócrates" foi também considerada decisiva, e exortou o atual Executivo a aplicá-la. Uma medida que deverá ser acompanhada por "privatizações numa lógica económica, no sentido de reduzir o peso do Estado na economia e aumentar a eficiência económica em Portugal".

Na perspetiva de Mira Amaral, as privatizações anunciadas pelo Governo também são insuficientes e denunciam uma "lógica oportunista" para reduzir a dívida pública. "Não são feitas numa lógica correta do ponto de vista económico, de aumentar a eficiência da economia portuguesa e de redução do papel do Estado na economia portuguesa", sustentou.

A "questão decisiva" estará relacionada com a confiança em torno da economia portuguesa. Porque a inversão do atual ciclo implica uma política económica e financeira credível e que forneça sinais positivos aos portugueses e para o exterior.

"Se os financiadores externos não tiverem confiança em nós, aumentam as taxas de juro que estamos a pagar em Portugal. A questão da confiança é muito importante para que as taxas de juro diminuam e para que os capitais fiquem em Portugal e não fujam para o estrangeiro", concluiu.

Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico



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