No exterior de Alvalade, houve mais pedradas que remates e o número de feridos superou mesmo os golos. Mas, no interior do estádio, o ambiente esteve também infernal (até os autoclismos faziam um barulho semelhante a petardos quando tinham de funcionar). Resumo: foi um jogo de guerra. A artilharia leonina, com demasiados tiros com balas de borracha mas sem nunca pedir a rendição, não conseguiu parar duas bombas de Agüero. Empatou, foi eliminada. E o leão perdeu todas as sete vidas.
Por razões disciplinares, Izmailov ficou de fora das opções. Uma alegada decisão de Costinha, o Ministro, que deixou o conjunto leonino sem governo. E mais desgovernado ficou com o golo madrugador de Agüero, aproveitando uma falta de comunicação entre Caneira e Polga (a “perspectiva zonal” que Carvalhal abordou está sempre refém de rotinas). E nem o bluff da convocatória de Carriço – que não estava a 100% – teve o mínimo efeito no genro de Maradona.
O Sporting gelou. “Estás com as mãos na cintura para quê?”, gritou Moutinho para Abel após um canto que o lateral podia ter aproveitado na segunda bola. E Liedson continuou: “Cruza bem a bola!”, queixou-se. Os nervos estavam instalados mas surgiu, como sempre, o Levezinho desbloqueador: após um cruzamento bem tirado de Saleiro, o luso-brasileiro teve cabeça para aproveitar o calcanhar de Aquiles do Atl. Madrid (Perea). Reacendeu-se a chama no estádio, de uma forma tal que até o speaker de Alvalade pediu para não serem atiradas tochas para o relvado (é certinho: uma parte dos mais de 600 mil euros de receita de bilheteira servirão para pagar uma provável multa da UEFA). Mas Sergio Agüero, ou Kun, voltou a provar porque tem alcunha de estrela da banda desenhada japonesa: depois de um slalom fantástico na área lisboeta, voltou a marcar. Até Carlos Manuel, a antiga glória de Sporting e Benfica, se virou para trás impressionadíssimo com o movimento do avançado argentino...
O Sporting gelou. Melhor, voltou a gelar. E aqui até o estádio ficou... gelado. Os olés dos colchoneros ouviam-se em Madrid. Mas o improvável caiu do céu: Polga, que marcara o último golo em 2007, desviou, de raspão, um livre de Veloso. 2-2. E intervalo.
“Um golo! Um golo”, ter-se-á ouvido no balneário leonino. E a formação verde e branca bem tentou: Saleiro acertou em De Gea; Pereirinha atirou às malhas laterais; Liedson fez a bola rasar o poste (59’). Começou o desfile das substiuições, com o Sporting a ir mais à frente e o Atl. Madrid a recuar tropas. Mas a história da batalha estava feita.




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