Os casos de padres que cometeram abusos sexuais de menores "são crimes que envergonham" a Igreja católica, considera o bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo, defendendo uma reflexão que "evite situações destas no futuro".
Em declarações à agência Lusa a propósito dos casos de pedofilia cometidos por religiosos tornados públicos em vários países da Europa, D. Carlos Azevedo considera que a Igreja está "a enfrentar as situações com muita verdade".
"Essa é a primeira atitude: enfrentar os casos que surgem com frontalidade, depois de se ter muita atenção àqueles que foram vítimas", avaliou.
Casos de pedofilia cometidos por religiosos vieram a público nas últimas semanas, em particular na Alemanha, Áustria, Holanda e Suíça, e têm surgido pressões, sobretudo na Alemanha, para que o papa Bento XVI tome uma posição oficial sobre a situação.
Em Portugal, o jornal i noticiou na quarta feira que, segundo a Polícia Judiciária, dez padres foram indiciados entre 2003 e 2007 por abusos sexuais a crianças.
O bispo auxiliar de Lisboa disse desconhecer aqueles casos em concreto, mas genericamente considera que a situação "obriga toda a igreja a uma reflexão" e a "encontrar modos para preparar um futuro diferente".
"A maior parte das situações é de há 30 ou 40 anos", ressalvou.
Questionado sobre as indicações que as dioceses portuguesas dispõem para lidar com estes casos, D. Carlos Azevedo explicou que "devem ser reputados à Congregação da Doutrina da Fé, que coordena a nível interno, na Igreja, para depois avançar com algum processo. É isso que qualquer bispo deve fazer".
"Depois, que a polícia investigue, e que os tribunais julguem" os responsáveis, acrescentou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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