A lista dos mais procurados pelo FBI nasceu como resposta à curiosidade de um jornalista
Há listas para todos os gostos, inclusive os mais improváveis. Basta ler este
jornal, ou a revista "
Time Out": os dez melhores talhos, as 20 melhores propostas nos subúrbios, etc. É uma tendência actual e crescente, mas a confecção de catálogos e inventários remonta, pelo menos, aos tempos de Homero - tal como relembra
Umberto Eco no seu último livro ("
A Vertigem das Listas").
A maioria são meros caprichos, outras nascem por acaso ou por pragmatismo. Nesta categoria, uma das mais conhecidas é a
lista de fugitivos do Federal Bureau of Investigation (
FBI, equivalente à
PJ). No domingo passado, o top ten dos mais procurados comemorou 60 anos. A história deste clássico, contudo, começa um pouco antes.
Em 1949, o repórter
James Donovan pediu ao FBI os nomes dos "tipos mais duros" sob investigação. A lista com as oportunas fotografias fez a manchete do extinto "
The Washington Daily News" e a moda pegou.
O actual director do FBI,
Robert S. Mueller III, considera que esta instituição da luta contra o crime é um dos "programas publicitários mais efectivos e de mais longa data" do organismo. Em 60 anos foram detidos ou localizados 463 fugitivos, 94% do total (494). A colaboração dos cidadãos foi decisiva para a detecção de 152 evadidos, o que representa quase um terço dos "mais procurados".
As sucessivas listas também "traçam a evolução do
crime na
América", como explica Mueller no prefácio do livro lançado para festejar o aniversário. Nos anos 1950, os protagonistas foram os
assaltantes de bancos e, de um modo geral, os ladrões. A década seguinte assistiu à ascensão do vandalismo e das sabotagens anti-sistema e antibelicistas.
Os anos 70 espelham o auge do
crime organizado, os 80 o reinado da droga e dos massacres - uma época que inspirou o "Psicopata Americano" do escritor Bret Easton Ellis. A internacionalização do crime chegou nos 90: grandes
narcotraficantes,
branqueamento de capitais... Finalmente, o arranque do século trouxe uma nova ameaça: o
terrorismo islamita.
A invasão norte-americana do
Iraque celebrizou uma versão ainda mais lúdica das listas de fugitivos: o baralho de cartas com os rostos dos 54 maiores inimigos do regime. O ás de espadas -
Saddam Hussein - foi capturado e enforcado, mas o inimigo número um continua em paradeiro desconhecido. Esta semana, o procurador-geral dos
EUA,
Eric Holder, admitiu pela primeira vez que
Bin Laden nunca será julgado. "Será morto por nós ou pela sua própria gente para não ser capturado", afirmou no
Congresso.
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