Comissão Europeia alerta para optimismo das previsões económicas

por Bruno Faria Lopes com Lusa, Publicado em 18 de Março de 2010   
São 14 os governos na berlinda de Bruxelas, com destaque para os quatro grandes. Merkel ressuscita fantasmas
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A Comissão Europeia alertou ontem, em Bruxelas, para o excesso de optimismo dos governos europeus nas previsões de crescimento económico nos próximos anos, que estão na base dos Programas de Estabilidade e Crescimento (PEC).

"Globalmente, para a maioria dos 14 programas examinados, as previsões de crescimento que sustentam as projecções orçamentais são consideradas demasiado optimistas, o que significa que os resultados orçamentais poderão ser menos bons do que o previsto", conclui a Comissão Europeia.

O executivo comunitário publicou a avaliação que faz da estratégia de redução do défice em 14 estados-membros: Bélgica, Bulgária, Alemanha, Estónia, Irlanda, Espanha, França, Itália, Holanda, Áustria, Eslováquia, Suécia, Finlândia e Reino Unido. Os défices orçamentais da maioria dos países europeus cresceram para níveis históricos, nos últimos anos, como consequência da crise financeira e económica que os 27 tiveram de enfrentar.

"Os principais riscos que enfrentam os processos de consolidação decorrem de previsões macroeconómicas ligeiramente optimistas e da falta de precisão das medidas de consolidação", afirmou o comissário de Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn.

Bruxelas deverá avaliar um segundo grupo de países daqui a uma semana, incluindo Portugal, cujo PEC recebeu um primeiro elogio por parte do presidente da Comissão, Durão Barroso, e da OCDE, num comunicado divulgado ontem. Portugal é o único país que ainda não entregou o documento final a Bruxelas.

Ontem, a Comissão pediu especialmente aos governos das quatro maiores economias do euro - Alemanha, França, Itália e Espanha - para explicar de forma mais detalhada como prevêem atingir os objectivos de défice abaixo de 3%, cumprindo as regras europeias. O braço executivo da União Europeia (UE) pediu ainda explicações a outros países - incluindo a Irlanda, a Áustria e a Holanda. A crítica mais dura do dia acabou por ir para o Reino Unido, cujos planos para reduzir o défice orçamental - actualmente acima dos dois dígitos - foram considerados muito tímidos, um embaraço para o governo de Gordon Brown.

A ameaça de Merkel Entretanto, a chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu ontem que um país europeu seja obrigado, em último recurso, a sair da zona euro se, "repetidamente, não cumprir as condições" necessárias para se manter na moeda única. A chefe do Governo alemão veio enfatizar as declarações do seu ministro das Finanças que, na semana passada, num artigo de opinião no Financial Times, tinha defendido esta ideia.

"Se um país membro da zona euro, no limite, não conseguir consolidar o seu orçamento ou restaurar a sua competitividade, este país, deve, como solução de último recurso, sair da zona euro, embora mantendo-se como membro da UE", escreve o ministro das Finanças.

Durão Barroso acabou por desvalorizar a ameaça alemã, o maior contribuinte para o orçamento da UE, considerando nula a probabilidade de um país sair da zona euro - também o primeiro-ministro da Grécia, o país mais visado pelo recado, considerou que há "zero" margem para a saída do euro.


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