Arte

A história da arte portuguesa em mil metros quadrados

por Luís Leal Miranda, Publicado em 18 de Março de 2010   
De Cabrita Reis a Columbano, a nova exposição do Museu do Chiado é uma viagem no tempo
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Se começarmos pelo fim, a exposição "Um percurso, dois sentidos - a Colecção do Museu Nacional de Arte Contemporânea" está organizada cronologicamente. Se começarmos pelo princípio, viajamos do presente para o passado avançando pelos quadros e esculturas do museu. Nenhuma das duas hipóteses a ter em conta pelo visitante destrói, no entanto, o sentido da exposição - a primeira organizada por Helena Barranha, directora que tomou posse no final do ano passado, substituindo Pedro Lapa que dirigiu aquela instituição durante 11 anos. "Deixamos ao critério do visitante o sentido que ele quer dar a esta exposição", comenta.

O espaço são os mil metros quadrados do Museu do Chiado agora ocupados quase na totalidade por esta retrospectiva. Uma área que a nova directora conhece bem: licenciada em Arquitectura com mestrado em Gestão do Património Cultura, Helena Barranhas fez a sua tese de doutoramento sobre Arquitectura de Museus de Arte Contemporânea em Portugal. Um dos museus que estudou foi precisamente aquele para onde mais tarde viria a trabalhar. "A relação entre os trabalhos e o espaço arquitectónico foi uma das minhas linhas de trabalho e uma preocupação que trouxe para esta exposição".

Odisseia no espaço Helena Barranhas e a equipa do Museu do Chiado escolheram 82 peças de 62 autores. "Foi um processo difícil, temos uma área reduzida para montar esta exposição e deixámos de fora peças interessantíssimas". Almada Negreiros é um dos autores mais representados numa lista que inclui ainda Nadir Afonso, Pedro Cabrita Reis, Paula Rego, José Malhoa e Columbano Bordalo Pinheiro, entre outros. "O critério de escolha foi a representatividade autoral, quisemos ter aqui os principais artistas do acervo", explica a directora, "ao mesmo tempo tinham de ser peças que funcionassem em diálogo entre elas."

Este diálogo resulta numa conversa em cinco partes: "Contemporaneidade", "Através do século XX: continuidade e rupturas", "Vias do modernismo", "Paisagem, costumes e retrato na segunda metade do século XIX" e "Narrativas naturalistas".

A escolha de uma antologia de arte portuguesa como primeira grande exposição do ano - e estreia de Helena depois de ter sido escolhida para o cargo por concurso público - tem duas explicações: "Como museu nacional temos a obrigação de apresentar e valorizar a nossa colecção", explica a directora. E a vontade do público: "Havia muitas pessoas que nos escreviam e pediam para voltar a ver certas peças mais emblemáticas".

Escolha pouco consensual. A nova directora assumiu o cargo em Dezembro rodeada de polémica. Depois de conhecida a escolha de Helena, descrita no meio artístico como "uma desconhecida", circulou uma petição a pedir o afastamento da arquitecta antes mesmo de esta começar as suas novas funções. "Não me magoou esse abaixo-assinado, mas fiquei surpreendida porque percebi o quão preocupadas as pessoas estão com este museu e quão importante é esta colecção".

Outro assunto na agenda de Barranha é a ampliação do Museu do Chiado, tida como certa desde o final do ano passado. "A perspectiva é que a PSP e o Governo Civil saiam da vizinhança e nos libertem o espaço que tanto precisamos". O resultado, prevê a directora, é um quarteirão dedicado às artes "mais próximo da cidade". E com mais metros quadrados.


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