Semana da final da Taça da Liga

Paulinho McLaren. "Enganei o Silvino e aliviei o Pinto da Costa"

por Rui Miguel Tovar, Publicado em 18 de Março de 2010   
O avançado brasileiro decidiu a Supertaça portuguesa a favor do FC Porto no 12.º penálti do desempate
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Ayrton Senna sagrou-se campeão mundial em 1991 ao volante de um McLaren Honda, ao mesmo tempo que Paulinho César foi o melhor marcador do campeonato brasileiro com 15 golos, ao serviço do Santos. O sucesso do avançado foi tanto que o artilheiro foi renomeado Paulinho McLaren, numa alusão à sua velocidade, parecida (salvaguardadas as diferenças, obviamente) com a do piloto compatriota, que, por acaso, era do arqui-rival dos santistas, o Corinthians.

Contratado pelo FC Porto no Verão de 1992, Paulinho só esteve uma época nas Antas e não funcionou na superequipa de Carlos Alberto Silva, que em 1992-93 conquista campeonato nacional e Supertaça portuguesa, esta última ao Benfica, numa finalíssima trepidante, em Coimbra, onde o herói foi Paulinho, na marcação do 12.o penálti do desempate.

"Foi como ganhar na casa do Benfica, porque a maioria dos espectadores [20 mil] usavam cachecóis vermelhos", lembra Paulinho, hoje com 46 anos e treinador do Itapirense, da 3.a divisão de São Paulo.

"Nunca imaginei que fosse marcar aquele penálti, mas a primeira série terminou empatada e o CAS [Carlos Alberto Silva] definiu outros marcadores. Eu fui logo o primeiro e decidi o título a favor do FC Porto, porque o Vítor [Baía] tinha defendido um remate do russo do Benfica [Mostovoi]. Enganei o Silvino e aliviei o Pinto da Costa."

Esta traz água (e não águia) no bico. Expliquemos: foi dramático o desempate. Os benfiquistas atingiram o 3-0 e parecia impossível a taça ir para as Antas. Foi então que as câmaras televisivas captaram Pinto da Costa de joelhos no relvado a rezar para que a sorte dos penáltis mudasse. Adivinhem? Mudou mesmo. Conquistado o troféu, Pinto da Costa passou por Fátima para agradecer à Virgem. Por isso Carlos Alberto Silva mandou construir um sacrário nas Antas ? e antes de cada treino ou jogo, rezava a Nossa Senhora. Por uma questão de misticismo,

Espiritualismos à parte, a verdade é que Paulinho foi o cromo dessa semana mas nunca mais deu nas vistas e arrancou veloz, qual McLaren, para o baú das memórias do FCP - 16 jogos e apenas um golo, ao Gil Vicente, na jornada seguinte àquela em que falhou o empate no Bessa, de baliza aberta, na pequena área, com o Boavista, aos 90'

"Não dei certo aí com vocês, mas agora vinguei-me." E entre risos justifica-se: "Trabalhei no Rio Claro, um time de São Paulo, como treinador e fui campeão brasileiro sub-17. Desse plantel, quatro jogadores já foram negociados para o Benfica." Será que sabem marcar penáltis?


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