O presidente indigitado da comissão de inquérito sobre a atuação do Governo no negócio da TVI, hoje em debate no Parlamento, defende a maior rapidez possível na conclusão dos trabalhos em face do "interesse do Estado".
“Não é trabalhar à pressa, é apenas trabalhar com a noção de que não devemos arrastar esta questão porque, na minha interpretação, o interesse do Estado é que este assunto seja terminado com todo o rigor e imparcialidade, mas quanto mais depressa melhor”, afirmou o deputado Mota Amaral, em declarações à Lusa.
A comissão eventual de inquérito ao negócio PT/TVI, que toma posse na quinta feira, terá por objeto “apurar se o Governo, direta ou indiretamente, interveio na operação conducente à compra da TVI e, se o fez, de que modo e com que objetivos” e “apurar se o senhor primeiro ministro faltou à verdade ao Parlamento, na sessão plenária de 24 de junho de 2009” quando disse não ter sido informado sobre o negócio.
A comissão de inquérito terá a duração de 60 dias e será constituída por 17 deputados: sete do PS, entre os quais três vice-presidentes da bancada, seis do PSD, dois do CDS, um do BE e um do PCP.
Para Mota Amaral, apesar de o prazo ser de dois meses, “quanto mais depressa esta comissão terminar o seu trabalho melhor para todos”.
“O nosso prazo é dois meses, mas se for possível fazer o trabalho que temos que fazer em mês e meio, faremos em mês e meio, se for possível fazer num mês, faremos num mês”, disse, salvaguardando que “o rigor dos trabalhos deve ser mantido”.
A constituição de uma comissão de inquérito foi feita a requerimento potestativo de 39 deputados do PSD e do BE vai ser hoje debatida no plenário da Assembleia da República a pedido do PS.
Na semana passada, o líder parlamentar socialista, Francisco Assis, acusou o PSD e o BE de quererem “enxovalhar a figura do primeiro ministro”, acrescentando que, sobre isso, “é preciso fazer uma discussão séria e transparente” no plenário.
Na mesma altura, o deputado do PSD Agostinho Branquinho recusou qualquer “visão de ataque pessoal”, afirmando que o objetivo “é apurar um conjunto de fatos”.
Na terça-feira, o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza, admitiu que o primeiro ministro terá um papel importante na comissão de inquérito e defendeu “um esclarecimento cabal sobre o eventual envolvimento do Governo na compra da TVI pela PT”.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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