Inter. Parecia a "Missão Impossível" em Stamford Beach
por Rui Miguel Tovar, Publicado em 17 de Março de 2010
José Mourinho sai de Londres com uma dupla satisfação: vitória inequívoca com golo de Eto'o e qualificação para quartos da Champions (0-1)
Peter Greaves, o lendário chefe de equipa da "Missão Impossível", morreu anteontem mas o idealismo da série televisiva dos anos 60 e 70 continua bem vivo. Pelo pé de Eto'o e pela cabeça de Mourinho, que saiu airosamente de Stamford Bridge, com uma dupla satisfação (a vitória e a qualificação para os quartos-de-final da Champions).
Aplaudido pelos adeptos do Chelsea, para sempre gratos e nunca esquecidos pela experiência de conviver com o técnico português durante 38 meses, de Julho de 2004 a Setembro de 2007, Mourinho controlou o jogo na primeira parte e dominou-o completamente na segunda, com uma exibição de gala, sem dar hipótese aos anfitriões.
Em Stamford Bridge, que mais parecia Stamford Beach pelo estado péssimo do relvado, com partes de verde descolorido e outras com muita areia, responsáveis pelo futebol de praia, jogado aos repelões, quase sempre pelo ar e com a bola em constantes desvios, o Inter demonstrou que não é equipa que dependa de um jogador só para resolver uma eliminatória e sonhar com a conquista da Liga dos Campeões, que foge ao clube milanês desde 1965 (1-0 ao Benfica, no Giuseppe Meazza), quando ainda nem sequer começara a "Missão Impossível" na CBS e a dita cuja (a prova) se chamava Taça dos Campeões.
Antes de Eto'o calar os londrinos, aos 78 minutos, o Inter já dera indícios de superioridade notável sobre um Chelsea que sempre foi dado como favorito, desde o sorteio de 17 de Dezembro de 2009. Acontece que a equipa de Ancelotti foi perdendo influência e gás (para mais explicações desta natureza pode também ler a página 53) e alguns jogadores nucleares, como Cech, Ashley Cole e Deco, ao mesmo tempo que o Inter se agigantou, com o rendimento de Sneijder, a contratação de Pandev e a pontaria de Eto'o, que estava sem marcar há oito jogos e agora: toma lá e embrulha.
DETALHES E ERROS Desde a racionalidade e efectividade futebolística mais absoluta, o Inter abateu um Chelsea preso a um ataque de loucura, vítima da sua própria generosidade, respeituoso com o espectáculo e a história. Estes duelos resolvem-se quase sempre com detalhes excepcionais, como a táctica audaz de Mourinho dos três avançados em casa alheia e o golo de Eto'o, e erros majestosos, como os dos árbitros dos dois jogos que não viram o atropelamento de Lúcio a Malouda em Milão (o espanhol Mejuto González) e a estúpida placagem de Samuel a Drogba em Londres (o alemão Stark).
Chelsea e Inter começaram por jogar às escondidas, completamente retraídos. Com Sneijder em forma, os interistas são sempre a equipa mais ofensiva, mais equilibrada e mais acertada.
à velocidade da luz O atrevimento de Mourinho permitiu ao Inter esquecer o fracasso de cinco jogos sem vitórias nos últimos sete e recuperou uma das suas melhores versões, tanto no plano individual como no colectivo, sobretudo pelo protagonismo de Sneijder, desequilibrante como passador e rematador, perseguido de forma violenta pelos defesas adversários. Na segunda parte, o Inter distanciou-se dos londrinos à velocidade da luz. Na mesma toada, foram-se perdendo oportunidades de golo na cara de Turnbull, por Pandev (60'), Milito (66') e Motta (70'). Com Eto'o, o Inter foi mesmo de moto e o Chelsea de vela, sem glória nem Drogba, expulso por agredir Lúcio.
Mourinho deu uma lição em Londres. Mais uma. E esta parecia impossível.
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