Um país mais limpo, com menos gasolina e gás importados e mais carros eléctricos, mais painéis solares e mais aerogeradores, incluindo uma nova geração offshore (moinhos no mar). Esta é a visão idílica de José Sócrates para a próxima década, apresentada ontem sob o nome Plano Novas Energias.
Até 2020 o governo pretende investir 31 mil milhões de euros, criar 120 mil postos de trabalho e reduzir a factura das importações energéticas portuguesas cerca de 2 mil milhões de euros. Os objectivos receberam um aplauso quase unânime mas mesmos os apoiantes mais entusiastas reconhecem que não são originais nem representam uma mudança.
“Estas ideias do governo já estão em cima da mesa há alguns anos”, alerta o dirigente da Quercus, Francisco Ferreira. Peças Lopes, professor da Universidade do Porto, reconhece que o executivo aposta na continuidade. “E ainda bem que assim é”, acrescenta. No entanto, aponta novidades na mobilidade eléctrica e na utilização das redes inteligentes ou smart grids.
Peças Lopes acredita que Portugal vai estar na vanguarda nestas áreas e ser capaz de “exportar em nichos tecnológicos onde temos excelência”. “Não é possível a aposta nas renováveis se ao mesmo tempo não desenvolvermos soluções na gestão da rede eléctrica”, conclui.
Para levar a cabo este plano, que ainda não foi aprovado e que deverá ser entregue em Bruxelas, em Junho, o governo conta com o envolvimento dos privados. “A execução é absolutamente vital”, disse Sócrates, sublinhando o “sentido de urgência” da estratégia.
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