SE DÚVIDAS AINDA RESTASSEM, os acontecimentos dos últimos dias vieram confirmar que a estratégia de Obama para o Médio Oriente está em risco de entrar em colapso. O Presidente quando iniciou o seu mandato tinha pela frente três grandes dossiers relativos ao Médio Oriente: o processo de paz entre israelitas e palestinianos, a retirada militar do Iraque e o programa nuclear iraniano. Com a excepção do Iraque, tudo o resto permanece sem progressos significativos, ou agravou-se ainda mais. Esta semana, por exemplo, as relações entre os EUA e Israel conheceram um dos seus inúmeros pontos de fricção política. Não sendo provável que a mesma tenha consequências de longo prazo na relação bilateral, em todo o caso poderá ter impacto no papel e no poder negocial que Obama desejaria ter no Médio Oriente. Ao iniciar o seu mandato, Obama nomeou de imediato George J. Mitchell para o cargo de enviado especial para o Médio Oriente. Todavia, o ano de 2009 foi largamente infrutífero. Por exemplo, Washington nunca conseguiu convencer o Governo israelita a congelar a construção e alargamento dos colonatos na Cisjordânia. E para agravar ainda mais a situação, em Novembro de 2009, os EUA ficaram sob a ameaça de perder o interlocutor palestiniano, depois de o Presidente Mahmoud Abbas ter anunciado que não se recandidataria. Um mês antes, a posição norte-americana perante os palestinianos piorara substancialmente, na sequência do voto a favor da aprovação do relatório Goldstone na ONU. Talvez por tudo isto, os EUA entenderam ter chegado o momento de marcar uma posição política face a Israel relativamente a Jerusalém Oriental. Tarde demais?
Director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança




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