José Penedos: "Claro que vou voltar à EDP"

por Sílvia de Oliveira, Publicado em 17 de Março de 2010   
O ex-presidente da REN, suspenso no âmbito do caso Face Oculta, vai regressar à eléctrica onde é director-geral
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A suspensão de funções de José Penedos da presidência da REN - Redes Eléctricas Nacionais, no âmbito do caso Face Oculta chegou ao fim. Com a eleição dos novos corpos sociais da empresa, anteontem em assembleia-geral, o gestor constituído arguido no processo das sucatas, termina o seu mandato, fica livre e prepara-se para regressar à EDP. Penedos pertence aos quadros da empresa presidida por António Mexia, com o cargo de director-geral. "É claro que vou voltar à EDP", disse ao i José Penedos, quando questionado sobre o seu futuro profissional.

Sobre o tipo de funções que iria assumir, recusou adiantar mais dados: "Quando lá chegar ficarei a saber. Vou agora começar a tratar disso com os recursos humanos da EDP."

Apesar de ter quase 65 anos e de, por isso, poder optar pela reforma, depois do envolvimento no escândalo Face Oculta José Penedos decide, para já, prosseguir com a sua vida profissional. Um novo mandato à frente da REN ficou definitivamente posto de parte depois do seu envolvimento no Face Oculta.

Confrontado com o regresso de Penedos à EDP, o presidente-executivo da eléctrica disse ao i que se trata de "uma decisão pessoal". António Mexia, que ontem se encontrava em Londres em roadshow', adiantou: "José Penedos é director-geral da EDP desde 2006. É natural que volte à empresa."

José Penedos fez carreira na EDP durante as décadas de 80 e 90 do século passado, antes de entrar na vida governativa. Foi três vezes secretário de Estado nos governos de António Guterres: da Energia, entre 1995 e 1996, da Indústria um ano mais tarde, e, por último, da Defesa, na equipa do então ministro Veiga Simão.

Apanhado nas malhas do caso Face Oculta, o ex-presidente da REN é indiciado do crime de corrupção passiva e resistiu sempre a abandonar a presidência da empresa por considerar que nada tinha feito de errado. Aliás, Penedos recorreu da decisão do tribunal, mas acabou por acatar a decisão de suspensão antes de obter uma resposta ao seu recurso.

Ao contrário de outros gestores envolvidos no caso Face Oculta, que optaram por se afastar dos cargos que ocupavam - como é o caso de Armando Vara, vice--presidente do BCP -, Penedos só saiu por ordem do tribunal. Foi o juiz de instrução do processo Face Oculta que determinou a suspensão de funções de José Penedos, a 25 de Novembro de 2009. O ex-presidente da REN foi ainda sujeito ao pagamento de uma caução no valor de 40 mil euros e à proibição de contactar com outros funcionários da empresa e com outros arguidos, excepto com o seu filho, Paulo Penedos.

A sua saída da REN, que se tornou oficial anteontem, depois da confirmação pelos accionistas de Rui Cartaxo como novo presidente, não escapou a polémica, desta vez por causa dos prémios de gestão.

O Estado aprovou, com a oposição dos accionistas privados - entre os quais a Logoplaste -, a redução dos bónus até um máximo de seis salários (o tecto era de 12). Em aberto ficou a atribuição de prémio relativo a 2009 também a José Penedos, apesar de este ter sido suspenso em Novembro. Filipe de Botton, vice--presidente da Logoplaste mostrou-se contra o pagamento pela REN de um prémio a Penedos por considerar que a auditoria interna levada a cabo na sequência do processo Face Oculta revelou deficiências na gestão. Ainda não foi tomada a decisão de pagamento de prémios de desempenho relativos a 2009.

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