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Salários dos gestores da PT valem 1,7% dos lucros

Publicado em 17 de Março de 2010   
PT paga 14 mil euros por mês em salários fixos a Nuno Vasconcelos e Rafael Mora, da Ongoing
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A Portugal Telecom (PT) pagou 11,37 milhões de euros aos seus 29 administradores em remunerações relativas ao ano passado. Este valor representa 1,7% do lucro conseguido pela operadora em 2009 – 684 milhões de euros – e, do total, mais de metade foi pago em prémios de desempenho anuais ou plurianuais. Zeinal Bava, CEO, e Henrique Granadeiro, chairman, receberam 2,5 milhões e 1,67 milhões respectivamente, 37% do total.
No bolo de remunerações pagas pela PT, estão ainda incluídos os salários pagos pela empresa aos máximos responsáveis da Ongoing, Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, assim como os ordenados de Soares Carneiro e Rui Pedro Soares, que se demitiram na sequência da divulgação das escutas relativas ao processo Face Oculta. Estes dois últimos receberam um total 1,91 milhões de euros, a maior parte paga a Rui Pedro Soares:1,53 milhões, dos quais perto de um milhão se deve a prémios a que Soares Carneiro não teve direito.
Já os líderes da Ongoing, empresa detentora do “Diário Económico”, receberam 198,6 mil euros de remuneração fixa da Portugal Telecom relativa ao ano passado. Nuno Vasconcellos, o dono da Ongoing, recebeu 113,3 mil euros – pouco mais de 8 mil euros por mês – e Rafael Mora recebeu 85,3 mil euros – 6 mil euros por mês –, já que ambos são administradores-não-executivos da operadora de telecomunicações nacional.

Menos que na Europa  A remuneração paga pela Portugal Telecom aos seus administradores-executivos compara negativamente com a média praticada noutras operadoras europeias, isto numa avaliação preliminar, já que as empresas internacionais ainda não divulgaram valores relativos a 2009.
Assim, cruzando o valor pago pela PT, no ano passado com os valores pagos pela Vodafone, Deutsche Telekom ou Telefónica em 2008, notam-se bastantes diferenças. Na Vodafone, os administradores-executivos receberam um bolo total de 27 milhões de euros, na Deutsche o valor chegou aos 17 milhões e na Telefónica aos 11,5 milhões. Na Portugal Telecom, a administração-executiva recebeu um total de 6,8 milhões de euros no ano passado – considerando apenas um terço dos prémios plurianuais referentes a três anos. Mas os portugueses também não estão no fim da tabela.  AFrance Télécom, TeliaSonaera, Belgacom ou Telekom Austria, para dar alguns exemplos, pagam menos que a PT- aos seus administradores-executivos. Numa média simples, e considerando apenas 12 operadoras internacionais e as remunerações de 2008 dessas mesmas empresas, pode-se dizer que os administradores-executivos da PT ganham em média menos 35% que os seus homólogos.
Olhando apenas para as remunerações dos líderes das empresas, é possível concluir-se que Zeinal Bava poderia estar a ganhar melhor noutra operadora internacional. O líder de uma gigante como a Vodafone, por exemplo, encaixa por ano perto de 14 milhões de euros. Já na Deutsche Telekom, o CEO aufere pouco mais de 3,7 milhões de euros.

e em portugal? As empresas cotadas portuguesas ficaram desde este ano obrigadas por lei a divulgar as remunerações individuais recebidas pelos seus administradores. Porém, nem todas estão a divulgar integralmente. Tal ocorre porque há uma lacuna que permite omitir as remunerações pagas pelas subsidiárias das empresas aos responsáveis, o que faz com que os valores divulgados nos relatórios e contas possam não ser os absolutos. Estas omissões impedem assim uma comparação a 100% dos salários e prémios pagos aos administradores das empresas cotadas na bolsa portuguesa e, até ao momento, apenas a PT e a Brisa optaram pela divulgação integral dos valores pagos aos responsáveis.
Olhando para as remunerações na concessionária Brisa, o primeiro dado que salta à vista é o facto do CEO – cargo com mais responsabilidade – ter auferido menos em 2009 que os seus administradores. Vasco de Mello, segundo refere a empresa no seu relatório e contas, “solicitou à comissão de remunerações que não lhe fosse atribuído qualquer prémio”, tendo assim abdicado de mais de 265 mil euros de remuneração. O responsável máximo da Brisa fechou o ano com uma remuneração total de 492,5 mil euros, contra os 563 mil a 707 mil euros que os administradores da concessionária receberam – cada um com direito a entre 150 e 265 mil euros em bónus. A Brisa fechou o ano com 161 milhões de euros de resultado líquido, mais 6,4% do que o lucro que atingiu em 2008.



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