Salários mínimos são risco para as empresas
por André Patrocínio, Publicado em 17 de Março de 2010
Estudo mostra que empresas onde maioria recebe o salário mínimo têm mais probabilidades de falir
Os salários podem ditar a sobrevivência de uma empresa, é a conclusão o estudo "Wages and the risk of displacement", de Pedro Portugal e Anabela Carneiro. O trabalho conclui que as empresas, onde a maioria dos trabalhadores tem salário mínimo enfrentam maiores probabilidades de falir. Ainda assim, salários muito acima da média também não são a solução, já que as empresas que pagam demais têm uma taxa de falência igualmente alta.
Porque é no equilíbrio que está o ganho, as empresas que oferecem salários médios-altos aos trabalhadores são as que estão mais protegidas da falência. A razão é simples: têm mais flexibilidade para renegociar os seus contratos com os empregados. O estudo confirma que o trabalhador, perante a ameaça de desemprego, prefere abdicar de parte do seu salário e perder alguns direitos.
Questionado pelo i sobre se a falência apenas pode ser travada pelo corte de postos de trabalho, Pedro Portugal sublinha que, "em geral, as empresas reagem preferencialmente a choques negativos da procura do produto diminuindo o emprego, em vez de alterarem os salários". Já quanto à situação portuguesa, o professor de economia diz que "há restrições muito severas ao despedimento", concluindo que "as empresas muitas vezes tomam a decisão de encerrar em vez de reduzirem significativamente a sua mão-de-obra".
O estudo foi baseado no Quadro de Pessoal do Ministério do Trabalho entre 1994 e 1996. Com base nas estatísticas apuradas, Pedro Portugal avisa mesmo que um crescimento de 10% no número de trabalhadores com salário mínimo aumenta 0,6% a possibilidade de ficar desempregado. A. P.
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