Privatizações. Governo tem de ir buscar 2,4 mil milhões de euros fora das cotadas
Publicado em 17 de Março de 2010
Economistas consultados pelo i consideram a meta de seis mil milhões de euros até 2013 é difícil, mas possível e realista
O governo precisa de encaixar pelo menos 2,4 mil milhões de euros na privatização de empresas que ainda não estão na bolsa. ANA – Aeroportos de Portugal, Caixa Seguros e CTT serão as principais fontes de encaixe para o Estado.
As participações públicas na EDP, Galp, REN e Inapa estão valorizadas em cerca de 3,6 mil milhões de euros, mas só no caso da Inapa o governo tenciona vender a totalidade da posição, o que poderá diminuir bastante este valor. Em relação às outras três empresas sem cotação bolsista, com excepção da Ana, não são conhecidas avaliações independentes. Os dados recolhidos pelo i, junto de analistas de mercado e dos respectivos sectores, apontam para que estas três empresas tenham um valor superior a 3 mil milhões de euros.
O facto de o governo provavelmente não estar disponível para vender mais de 50% do capital daquelas três empresas pode dificultar a tarefa de atingir a meta dos 6 mil milhões de euros que o Ministério das Finanças espera receber até 2013. Os analistas contactados pelo i, porém, estão optimistas quanto à execução do plano. “É possível atingir os 6 mil milhões de euros. A operação tem condições para ser bem sucedida”, assegura Pedro Pintassilgo, gestor de fundos da F&C Management. Da mesma opinião é João Cantiga Esteves, professor de Finanças do ISEG e António Nogueira Leite: “É um exercício difícil, mas até 2013 é possível”, diz o antigo secretário de Estado do Tesouro.
Já este ano o governo prevê vender posições no valor de 1,2 mil milhões de euros. Pedro Balcão Reis, head research do Santander Negócios, admite que esta será a parte mais fácil. “O objectivo a longo prazo parece-me mais difícil.” Em 2011 esse valor sobe para 1,87 mil milhões, descendo progressivamente nos dois anos seguintes.
Até 2013, as privatizações vão permitir ao Estado poupar 337,4 milhões de euros em juros da dívida, mas os economistas olham com preocupação para a subida da dívida pública (ver gráfico). Isto é, o governo está a vender não para fazer descer a dívida mas para que ela não suba para níveis insustentáveis. “No final voltamos ao mesmo desespero”, diz Nogueira Leite. A opinião é partilhada por João Duque, director do ISEG: “Daqui a um ano vai haver outro PEC. Este não será suficiente – a dívida vai controlar-nos.”
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