México: FBI investiga triplo homicídio de funcionários consulares

por Nelma Viana, Publicado em 17 de Março de 2010   
Por questões de segurança, o corpo diplomático norte-americano a trabalhar no México já foi evacuado
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O assassinato de três funcionários do consulado dos Estados Unidos na cidade mexicana de Juárez obrigou o FBI a deslocar-se ao país para investigar o crime. O triplo homicídio aconteceu na madrugada de segunda-feira, quando um casal de norte-americanos - Lesley Enrique e Arthur Redelf, de 35 e 34 anos, respectivamente - foi alvejado a sangue frio, à saída de uma festa de crianças. Quase em simultâneo, noutra zona da cidade, um homem de nacionalidade mexicana, Jorge Alberto Sarcido, casado com uma funcionária consular, foi também morto.

Para além das relações profissionais, a polícia diz desconhecer qualquer ligação que possa existir entre as vítimas. "Não podemos, por enquanto, determinar se as pessoas foram escolhidas deliberadamente", confirmou o porta-voz das forças de segurança locais em comunicado.

A Casa Branca, depois de reunir a informação transmitida pelo FBI, confirmou as suas suspeitas de que teria havido um engano na escolha das vítimas. "Pode ter havido confusão de identidades, mas temos de considerar a possibilidade de essas três pessoas serem de facto alvos a abater. Não sabemos", avançou Andrea Simmons, directora do gabinete do FBI na cidade de El Paso.

Por questões de segurança, os diplomatas norte-americanos a trabalhar no país já foram evacuados, com as famílias, embora as autoridades descartem por completo a hipótese de novos crimes virem a ter como alvos altos funcionários da embaixada.

Crime organizado O caso está longe de estar resolvido, mas Washington apressou-se a apontar o dedo a um grupo organizado com ligações aos cartéis da droga mexicanos. "A tragédia do passado fim-de-semana serve para lembrar como é perigosa a ameaça dos barões da droga. Para nós, americanos, como para os mexicanos", sublinhou P. J. Cowley, do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Não foram avançados nomes, mas a Casa Branca, indignada com o massacre, prometeu ao presidente mexicano, Felipe Calderón, reforçar o apoio à luta contra as quadrilhas de droga a operar no país - responsáveis também pela venda de estupefacientes nos Estados Unidos e no Canadá.

Os crimes aconteceram poucos dias antes da visita do chefe de Estado à cidade de Juárez - considerada uma das mais violentas do México -, naquela que será a sua terceira digressão do ano pelos caminhos do crime. O presidente agradeceu o apoio dos vizinhos americanos e disse estar pronto para discutir com Washington um novo plano governamental de combate ao crime organizado no México.

Vítimas A guerra entre os cartéis pela liderança do tráfico de droga para os Estados Unidos e a Europa já provocou a morte de mais de 15 mil pessoas nos últimos três anos. O reforço de segurança, no ano passado, com 50 mil militares não conseguiu conter os ânimos. As autoridades estimam que continuem a passar por dia mais de 50 kg de cocaína pela fronteira.

A cidade de Juárez conta com mais de 1,3 milhões de habitantes e em 2009 registou mais de 3 mil assassinatos motivados pelo tráfico de droga.


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