Internacional
ETA. Juiz espanhol lança caça a etarras na Venezuela e em Cuba
por Joana Viana, Publicado em 17 de Março de 2010
Chávez nega estar a proteger terroristas e ameaça cortar relações com Espanha. Alto cargo do governo venezuelano está entre os procurados
Eloy Velasco - é este o nome do magistrado que está a aumentar as tensões entre Espanha e a Venezuela. A ordem de detenção dos terroristas da ETA e das FARC alegadamente escondidos na Venezuela e em Cuba foi dada pelo juiz da Audiência Nacional espanhola, cuja investigação concluiu que os suspeitos terão participado em cursos de explosivos na selva venezuelana com a conivência do governo de Chávez.
Ao todo são 12 os suspeitos a quem foi dada ordem de captura, seis com ligações à organização independentista basca e os restantes alegados membros das FARC colombianas. Mas Hugo Chávez continua a negar qualquer ligação aos dois grupos de extrema-esquerda, tendo ontem relembrado que os seis alegados etarras estão na Venezuela desde 1989. "Porque não perguntam a Felipe González [primeiro-ministro espanhol entre 1982 e 1996] porque chegou a este acordo com Carlos Andrés Pérez [então presidente da Venezuela] para recebermos um grupo de pessoas que eram da ETA e que agora são venezuelanas?", ressaltou ontem. "Eles casaram aqui e hoje têm filhos e netos e temos a certeza que não estão a participar em qualquer actividade terrorista", garantiu.
No início do mês, Chávez já tinha desmentido as alegadas ligações do seu governo aos dois grupos independentistas. A 3 de Março, o presidente venezuelano acusou Washington de estar a orquestrar o plano para desprestigiar o seu país aos olhos da comunidade internacional e para sabotar a recém-criada unidade latino-americana. Esta semana, com a publicação do documento por Velasco, o presidente venezuelano virou-se contra Espanha, dizendo que a possibilidade de colaborar com terroristas lhe parece "tão estúpida" que "nem quem o diz deve acreditar" nela.
Um suspeito na agricultura Entre as acusações e os desmentidos, houve ameaças: "Se [o governo de Zapatero] ceder às pressões e nos desrespeitar de alguma forma, isso prejudicará novamente as relações como daquela vez em que o rei [Juan Carlos] me mandou calar", garantiu, lembrando os incidentes de 2007. Porém, no discurso de ontem - como nos seus vários discursos das últimas semanas -, Chávez não fez qualquer referência aos nomes dos alegados etarras. Entre eles encontra-se o de Arturo Cubillas Fontán, que ocupa actualmente um cargo na administração e serviços do Ministério da Agricultura.
Na semana passada, o governo de Zapatero pediu a Velasco petições "mais concretas" para poder negociar a extradição dos suspeitos com Caracas e Havana. Fontes da Audiência Nacional próximas do juiz asseguraram que, com o documento apresentado, Velasco esperava garantir o apoio diplomático do governo espanhol perante possíveis resistências pelos governos de Chávez e de Castro. Essas serão provavelmente incontornáveis na altura da extradição dos suspeitos.
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