A Comissão de Trabalhadores da EDP admitiu hoje estar apreensiva em relação à venda de parte da participação de 25,73 por cento do Estado na elétrica e receosa por "saber se os privados vão garantir os interesses dos trabalhadores".
"É uma matéria que muito nos preocupa desde que começaram as privatizações na empresa, e que agora aumenta", disse à Lusa João Guerreiro.
"A entrada de privados tem sido acompanhada de redução de pessoal e, se a 'golden-share' deixar de existir, ninguém sabe o que pode vir aí", realçou.
Com o objetivo de encaixar seis mil milhões de euros até 2013, e 1,2 mil milhões já em 2010, o Governo anunciou no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que vai vender parte da participação do Estado no sector energético, onde ainda detém oito por cento da Galp Energia, 25,73 por cento da EDP e é dono de 51,08 por cento da REN - Redes Energéticas Nacionais.
Em declarações à Lusa, o porta-voz da comissão de trabalhadores da EDP adiantou que "a preocupação é no sentido de saber se os privados, em que o principal objetivo é o lucro, vão garantir os interesses e os direitos dos trabalhadores".
João Guerreiro disse à Lusa que "os trabalhadores não deixarão de demonstrar a apreensão quanto ao futuro à administração da EDP".
Contactada pela Lusa, a administração da EDP escusou-se a comentar a intenção do Governo de alienar parte da participação pública na elétrica.
"No sector energético, serão levadas a cabo operações de privatização na Galp Energia, SGPS, S.A, na EDP - Energias de Portugal e na REN em que o Estado manterá uma posição acionista que permita salvaguardar o interesse público", refere o PEC.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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