O bastonário da Ordem dos Economistas (OE) afirmou hoje não ter ficado "chocado" com a intenção do Governo de avançar com a privatização de várias empresas estratégicas nacionais e defendeu-as como "óbvias" e "lógicas".
"Acho que as privatizações, à exceção de uma, que é a dos seguros, que foi uma surpresa, são relativamente óbvias e quando muito poderá haver uma antecipação, como é o caso dos CTT que poderá ser liberalizado para o ano a nível europeu e poderá haver uma tendência para privatizar", defendeu Murteira Nabo, em declarações aos jornalistas, à margem de um almoço debate organizado pela OE.
O bastonário apontou que, nessa matéria, a REN e a Galp já começaram a ser privatizadas.
"Todas elas são, a meu ver, relativamente lógicas, com exceção dos seguros, mas a justificação que é dada é relativamente convincente e, de facto, a Caixa Geral de Depósitos tem já uma grande importância na área dos seguros e, portanto, pode libertar uma área para privatização de uma parte", sustentou.
"Faz sentido e não me repugna nada", acrescentou.
Murteira Nabo desvalorizou o valor estratégico destas privatizações, alegando que "o controlo que hoje o Estado tem sobre algumas empresas estratégicas faz-se não necessariamente pela via do capital, mas pela via de parassociais, com direitos de veto, com ‘golden-shares’".
Questionado sobre as medidas que afetam diretamente os funcionários públicos, nomeadamente o congelamento de salários, Murteira Nabo disse entender que o Governo não pretende apenas congelar salários, mas antes reestruturar a administração pública.
"O que está em causa é uma reestruturação da administração pública que passa por ter cada vez mais gente qualificada, polivalente, que possa ter uma remuneração mais elevada, até avaliações por mérito e mesmo uma certa racionalização da máquina da administração pública, reduzir, agregar, juntar e se for isso, eu estou de acordo", revelou.
Se as medidas passarem apenas pelo simples congelamento de salários, então Murteira Nabo diz já não estar de acordo, alegando ser "insuficiente", uma vez que "o que está em causa é um aumento de eficiência e da qualidade do serviço prestado".
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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