Está suspenso e à espera da sentença do tribunal. Mas admite que foi longe de mais na brincadeira com pistolas
A
NBA está recheada de jogadores que só pensam em dinheiro, festas e mulheres. Não faltam também casos de quem se deixe levar pelo álcool ou pelas drogas.
Gilbert Arenas tem outro problema: não sabe parar de brincar. A falta de limites levou-o por um caminho que agora lamenta:
foi suspenso pela liga até ao final da época e aguarda a sentença do tribunal, que será conhecida no dia 26 deste mês. Tudo porque se lembrou de pegar nas
armas que tinha no cacifo do balneário para pregar uma partida ao colega
Javaris Crittenton.
Em
entrevista à revista "Esquire", Arenas aproveitou para tentar mudar a imagem que deixou junto da opinião pública. E explicou como tudo aconteceu. Começou no avião, quando jogava cartas com outros jogadores dos
Wizards. Crittenton estava a perder e não se calava. Farto, Arenas atirou as cartas a meio de uma jogada para abandonar o jogo. A resposta não tardou:
- Na minha terra leva-se as coisas até ao fim. O meu dinheiro está em jogo. Ou pagas esta jogada ou resolvemos isto lá fora [...] Temos de lutar.
Gilbert Arenas levou a ameaça na brincadeira e, em jeito de provocação, pôs a tocar a música "Beat It", de Michael Jackson. Todos se riram mas o assunto não ficou encerrado. Já no aeroporto, Crittenton voltou a incendiar a discussão:
- Temos de lutar!
- Meu, está a nevar e eu tenho uns Louis Vuitton brancos. Se lutarmos e um dos meus sapatos cair na neve nunca mais o encontro. Vou ficar queimado. Antes de entrar numa luta, queimo o teu carro.
- Queimas o meu carro e eu dou-te um tiro nos joelhos!
Não houve luta e cada um seguiu o seu caminho. No dia seguinte, Arenas chegou mais cedo ao pavilhão, como é hábito. Pegou nas quatro armas que tinha no cacifo e pô-las na cadeira de Crittenton, dentro de uma mochila, com um recado: "Escolhe uma." Seguiu para o treino, até que o colega chegou ao pé dele e lhe perguntou:
- O que é isto? O que é isto?
- Disseste que me ias dar um tiro no joelho. Estou a dar-te as armas para isso.
- Não preciso que me dês nada. Tenho a minha própria arma.
Javaris Crittenton pegou numa pistola e carregou-a. Só que depois pôs os auscultadores nos ouvidos e começou a ouvir música (e a cantar). Daí seguiu para o jacuzzi - Arenas foi atrás.
O episódio acabou aí. Agora, admite que a brincadeira ultrapassou os limites. As quatro armas que tinha no balneário faziam parte de um conjunto de mais de 400 que comprou a um coleccionador. "Tinha até da Primeira Guerra Mundial." Quando os filhos chegaram, decidiu guardar o material, à excepção do que seguiu para um cacifo vazio no
Verizon Center.
O base dos Wizards sempre levou uma vida caseira. Gosta de ver filmes e jogar videojogos e fá-lo de preferência em casa. E nas deslocações com a equipa raramente sai do quarto de hotel. Agora, garante uma fonte da NBA, está a dar em doido. E liga constantemente para a liga para tentar emendar-se, porque sempre sonhou jogar basquetebol. Só não sabe parar de brincar.
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