Pelo menos 50 palestinianos e três oficiais israelitas ficaram feridos hoje em confrontos em várias zonas de Jerusalém.
Segundo fontes palestinianas em declarações à Agência Efe, nas últimas horas registaram-se distúrbios dentro da Cidade Antiga de Jerusalém - controlada pela polícia israelita -, nas muralhas da cidade, no bairro de Ras El Amud, no campo de refugiados de Shuafat e na aldeia de Abu Dis. Fontes palestinianas e israelitas informaram que pelo menos três mulheres palestinianas foram feridas pela polícia israelita e três oficiais israelitas sofreram ferimentos após terem sido apedrejados.
Os confrontos ente palestinianos e israelitas começaram durante a madrugada, depois do grupo islâmico radical, o Hamas, ter declarado o dia de hoje como o “Dia da Ira”- um protesto contra as "provocações" levadas a cabo por Israel na parte oriental de Jerusalém. Testemunhas relataram à Agência Efe que "em Kalandia, o clima está muito perigoso”.
No início da manhã, a polícia israelita tinha apertado a segurança em todos os bairros da zona oriental de Jerusalém, para controlar os distúrbios civis esperados. A segurança foi reforçada logo após o governo do Hamas ter convocado protestos contra a reabertura de uma sinagoga histórica no bairro judaico da Cidade Antiga de Jerusalém, que estava a ser recuperada.
Distúrbios semelhantes têm ocorrido com muita frequência, em diferentes locais, e são controlados pela polícia do país com gás lacrimogéneo. A maioria das manifestações é formada por pequenos grupos de pessoas, algumas delas mascaradas.
Nas muralhas de Jerusalém, mais de 200 pessoas participaram hoje num protesto pacífico, liderado pelo ex-candidato presidencial palestiniano Mustafa Barghouti e pelo deputado israelo-árabe Taleb el-Sana. "Viemos aqui dizer que não vamos ceder, que esta é a capital do futuro Estado palestiniano", disse Barghouti, pedindo aos manifestantes para não usarem a violência. A incitativa acabou por ser destruída pela polícia, depois de alguém ter lançado uma pedra contra as forças de segurança que controlavam a manifestação.
Mais de 3 mil polícias israelitas estão hoje espalhados por toda a cidade, onde há cinco dias Israel limitou o acesso a vários locais. Fontes da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) citadas pelo diário israelita "Yedioth Ahronoth" informaram também que as forças de segurança estão hoje em estado de alerta e em todos os núcleos urbanos da Cisjordânia.
Os confrontos levaram a que o enviado norte-americano para o Médio Oriente, George Mitchell, fosse obrigado a adiar a visita à região. Segundo um comunicado da embaixada dos Estados Unidos em Israel, a visita de Mitchell à Cisjordânia e a Israel tinha como objectivo dar início a negociações indirectas entre israelitas e palestinianos.
As relações entre Israel e os Estados Unidos entraram numa grave crise diplomática devido à política de colonização israelita em Jerusalém ocidental anexada por Israel em 1967, mas nunca reconhecida pela comunidade internacional.




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