PSD propôs adiar debate sobre PEC. Governo e PS rejeitaram

Publicado em 16 de Março de 2010   
Opções
a- / a+

O PSD propôs hoje adiar o debate sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) no Parlamento para depois das diretas para a liderança social democrata, o que foi rejeitado pelo Governo e pelo PS.

Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Agostinho Branquinho disse que a proposta de adiamento foi feita na conferência de líderes de hoje, com o apoio da direção nacional social democrata liderada por Manuela Ferreira Leite.

Agostinho Branquinho confirmou que, anteriormente, quando o debate sobre o PEC foi marcado para dia 25 de Março, que é a véspera das diretas que vão eleger o novo líder social democrata, o PSD "não levantou problema".

Nessa altura, no entanto, "o assunto não estava na ordem do dia" e entretanto passou a estar "na ordem do dia do debate interno" do PSD, argumentou.

Por outro lado, Agostinho Branquinho apontou que "para que a data de 25 de março fosse possível era necessário que o Governo apresentasse o PEC até dia 15" e a entrega foi feita quando "faltavam seis minutos para a meia-noite" do último dia do prazo.

"É de realçar esta incapacidade do Governo de cumprir os prazos e depois não permitir que pudéssemos discutir o PEC com todos os dados em cima da mesa, para que se pudesse alcançar um consenso alargado sobre a matéria, que pudesse ser de médio longo prazo, que é aquilo de que o nosso país precisa", considerou o deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.

"Julgo que não vinha mal nenhum ao mundo, antes pelo contrário, se nós pudéssemos adiar a discussão do PEC para duas ou três sessões plenárias mais tarde. Nessa altura, a questão da liderança do PSD estaria resolvida e, portanto, teríamos um quadro de estabilidade político-partidária mais alargado, e isso é importante para a responsabilização de todos na discussão do PEC", reforçou.

Questionado se a proposta de adiamento do PEC para depois das diretas sociais democratas não menoriza a atual direção de Manuela Ferreira Leite, Agostinho Branquinho respondeu: "A direção do grupo parlamentar apresentou esta proposta no decurso da conferência de líderes com o apoio da direção nacional do PSD".

O debate sobre o PEC no Parlamento está agendado para o dia 25 de março desde o início deste mês. O PS fez saber que submeterá a votação um projeto de resolução de apoio ao documento.

Desde então, os candidatos à liderança do PSD têm falado sucessivamente - em entrevistas, debates televisivos, conferências e sessões com militantes -sobre a posição que o PSD deveria adotar em relação ao PEC e as medidas que este deveria conter, sem nunca a questão da data do debate ter sido levantada.

No congresso extraordinário do PSD deste fim de semana, contudo, o candidato à liderança social democrata Pedro Passos Coelho defendeu que deveria ser a próxima direção do partido a debater e votar o PEC e desafiou o primeiro ministro a adiar o debate sobre o documento para depois das diretas de 26 de março.

Em resposta ao desafio de Passos Coelho, os restantes candidatos do PSD comentaram esta questão.

Aguiar-Branco, que é também líder parlamentar do PSD, defendeu que a atual direção de Manuela Ferreira Leite tem toda a legitimidade para tomar uma decisão sobre o PEC, enquanto Paulo Rangel considerou inaceitável que o Governo queira submeter o programa a votação.

Por sua vez, questionada sobre a posição de Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite respondeu: "Não vou fazer comentários sobre essa matéria porque eu até ao último dia sou presidente do partido".

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 

 

 

 



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close