Solução para crise exige "revolução ética", diz director do FMI

Publicado em 15 de Março de 2010   
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Michel Camdessus, antigo diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou hoje, durante uma intervenção na Universidade de Deusto, que para ultrapassar a atual crise económica e social "é necessário uma verdadeira revolução ética".

O antigo dirigente do FMI sublinhou que "agora que sabemos a que catástrofe nos leva a busca individual do máximo lucro", é preciso que em todos os aspetos da actividade económica "se imponha o objetivo de criar uma sociedade justa, dando a cada Homem o que a sua dignidade exige".

Esta crise deve servir, considerou, "para abrirmos os olhos para as dimensões, hoje mundiais, da nossa responsabilidade e da nossa solidariedade".

Camdessus avisou os governos e os agentes económicos para o risco de "abandonar as reformas necessárias do sistema" a partir do momento em que se vislumbre a recuperação e do perigo de esse abandono nos conduzir, em breve, a uma nova crise.

Camdessus entende que a crise atual "é sobretudo um desastre ético", se bem que tenha outras dimensões, "como um monstro de sete cabeças", que têm de ser vistas no seu conjunto, a saber: "a pobreza mundial, as alterações climáticas, o enfraquecimento constante do multilateralismo em detrimento do unilateralismo e as crises energética, alimentar, financeira e cultural".

Aquele que foi o responsável máximo pelo FMI usou uma parábola rural para explicar a origem da crise: "Entregou-se o galinheiro aos pilha-galinhas."

Estes tinham criado uma referência, "um mundo sem regras", baseada no princípio de "ganhar mais para ter mais", em que tudo era mercadoria" e no qual "a cobiça, a avidez, apoderou-se da nossa consciência coletiva".

Por isto, Camdessus defende a necessidade de "mudar radicalmente os modos de viver e produzir", considerando aspetos como as alterações climáticas - "que vemos, mas não acreditamos" -, que ameaçam "fazer dos migrantes climáticos a figura mais trágica deste novo século".

Uma mudança "baseada na responsabilidade e na solidariedade", com um "desempenho mais exigente da nossa cidadania mundial", disse Camdessus.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 

 



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